Partidos portugueses tentam usar crise econômica para somar votos

Lisboa, 16 set (EFE).- Os dois principais partidos portugueses, o Socialista e o Social Democrata, tentam somar votos para se distanciar nas pesquisas para as eleições do dia 27 com propostas para superar a grave crise econômica em Portugal.

EFE |

Manuela Ferreira Leite, candidata do Partido Social Democrata (PSD, o principal da oposição), fez dos problemas financeiros do país o principal argumento contra o primeiro-ministro socialista, José Sócrates, que segundo as pesquisas, terá de brigar muito para manter sua maioria absoluta, e pode até perder o poder.

Desde os tempos da Revolução dos Cravos de 1974, que acabou com a longa ditadura salazarista, Portugal não se via imerso em uma crise econômica como a atual, e apesar de ninguém se atrever a culpar diretamente Sócrates, todos atribuem a ele a falta de eficácia para amortecer seus efeitos e superá-la.

Manuela Ferreira Leite acusa inclusive Sócrates e o Partida Socialista (PS) de se beneficiarem politicamente da crise, porque lhes permitiu esconder os "erros de sua gestão" após a cortina dos problemas econômicos mundiais.

O PSD, vencedor das eleições europeias de junho e com mais de 30% das intenções de voto - apenas alguns pontos à frente do PS -, critica especialmente o gasto público dos socialistas e sua falta de sucesso no momento de incentivar as empresas e reduzir o desemprego, que superou a casa dos 9%.

"Eles vão deixar este país arruinado", afirmou a dirigente conservadora em declarações publicadas hoje pela imprensa portuguesa.

Os ataques a Sócrates por causa da crise financeira também acontecem no outro extremo político, e o Bloco de Esquerda e a coalizão formada por comunistas e verdes acusam o Governo de ser incapaz de solucionar os problemas sociais do país, agravados pelo terremoto financeiro.

Essas duas legendas, que disputam o papel de terceira força no Parlamento português, com cerca de 10% de apoio cada uma nas pesquisas, não deram trégua a Sócrates nos últimos dois anos.

As manifestações e greves de funcionários contra as reduções de custos na Administração aplicadas por Sócrates foram uma de suas piores dores de cabeça, especialmente nos últimos dois anos de gestão, e não pararam até mesmo na campanha eleitoral, salpicada pela convocação de vários protestos.

A esquerda e os sindicatos criticam o PS não só por Portugal, entre os países veteranos da União Europeia (UE), "ainda estar desenvolvimento", mas também por oferecer os salários mais baixos e ter os piores níveis de desigualdade social.

Já o Bloco de Esquerda responsabilizou hoje o Governo pelo baixíssimo rendimento dos planos particulares de previdência e a falta de uma lei adequada para que os trabalhadores que colocam neles suas economias não se sintam enganados por "bancos que recebem muito carinho e fundos do Estado com a crise".

No meio da tempestade, Sócrates alega que, após a recessão em que entrou no ano passado, Portugal já conseguiu um leve crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre deste ano, similar ao das economias mais desenvolvidas da zona do euro, como França e Alemanha.

Os socialistas insistiram hoje em vários atos em sustentar os argumentos de Sócrates a favor de incentivar a economia com os grandes investimentos públicos, como o futuro aeroporto de Lisboa ou o trem de alta velocidade com a Espanha, despesas que encontram a oposição ferrenha do PSD.

A situação acusa ainda os conservadores de planejar uma privatização da Seguridade Social, embora Manuela Ferreira Leite tenha se apressado ontem à noite para desmentir esta notícia com firmeza. EFE ecs/mh

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