Partidos portugueses começam a analisar alianças de Governo

Lisboa, 21 set (EFE).- Os partidos portugueses começam a analisar futuras alianças de Governo, após entrar na última semana de campanha sem um claro favorito nas pesquisas sobre as eleições legislativas do próximo domingo.

EFE |

As enquetes divulgadas ao longo dos primeiros sete dias de campanha diferem nas porcentagens que atribuem aos dois principais partidos portugueses, o Socialista (PS, no poder) e o Social Democrata (PSD), mas todos confirmam a falta de uma vantagem suficiente para formar o Governo sem apoio de outras legendas.

O tema das possíveis alianças tinha sido até agora um tabu na campanha, e nenhum partido queria mostrar sua disposição de apoiar ou ser apoiado por outro.

Mas nas últimas horas, a possibilidade de formar alianças se transformou no tema político de fundo, com reações de vários líderes aos comentários do ex-presidente e dirigente socialista Mário Soares sobre a dificuldade de seu partido renovar a atual maioria absoluta.

Ao mesmo tempo em que descia nos comícios socialistas o tom das críticas à oposição de esquerda e aumentava os ataques à conservadora dirigente do PSD, Manuela Ferreira Leite, Soares acabava com a proibição sobre hipotéticas alianças, ao assinalar que um entendimento com o Bloco de Esquerda "não gera nenhum incômodo".

O bloco desponta nas pesquisas como a terceira força política do país, com cerca de 10% das intenções de voto, e desloca nesse papel a aliança de comunistas e verdes CDU, que agora cai para 8% de apoio e fica à altura de os democratas-cristãos do Centro Democrático Social-Partido Popular (CDS-PP), os mais conservadores.

As enquetes e os comentaristas põem em dúvida que o primeiro-ministro socialista, José Sócrates, com menos de 35% de intenções de voto, ou Manuela Ferreira Leite, que não chega a 32%, possam evitar negociar o respaldo de outras legendas.

Entre as reações sobre possíveis acordos para formar o Governo, o secretário-geral do Partido Comunista português e líder da CDU, Jerónimo de Sousa, considerou hoje o assunto prematuro, embora não o tenha descartado no futuro, desde que haja "mudanças políticas" e um autêntico "Governo de esquerda".

Por sua vez, o líder do Bloco, Francisco Louçã, comparou hoje o comentário de Soares sobre um entendimento com seu partido com um desagradável convite para "dançar" com o PS.

Mas apesar de ter reiterado sua aposta por "derrotar o Governo absoluto" de Sócrates, nos últimos atos de seu partido se notou um aumento dos ataques à "direita" do PSD,e a queda dos frequentes golpes contra os socialistas.

No PSD já há o alerta sobre a possibilidade de uma aliança da esquerda, e seu vice-presidente, José Pedro Aguiar-Branco, considerou hoje "irresponsável" que o PS "queira colocar os destinos do país nas mãos do Bloco".

O eurodeputado social-democrata Paulo Rangel, que ganhou as eleições europeias de junho dos socialistas, também pediu que o Governo esclareça se vai fazer acordos com o Bloco e comentou sobre o líder da ala esquerda do socialismo, Manuel Alegre.

Alegre, ex-candidato presidencial, deputado socialista e que liderou a oposição interna a Sócrates, acabou na semana passada discursando nos comícios de apoio ao Governo, apesar de ter anunciado seu afastamento da política eleitoral após votar contra várias polêmicas leis, como o Código de Trabalho.

Em um ato do Bloco, Louçã fez hoje vários elogios a Alegre, e as forças da oposição conservadora não deixaram de ver nisso uma possível via de entendimento político com os socialistas.

Precisamente desde esse extremo, o CDS-PP de Paulo Portas, que já tinha dado a entender que poderia se somar a um Governo dos social-democratas, concentrou hoje suas frases mais duras no Bloco de Esquerda.

Portas afirmou que se o Bloco de Esquerda chegar ao poder, vai tirar Portugal da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e do Tratado de Lisboa, além de nacionalizar a economia e romper o acordo com os Estados Unidos sobre a base dos Açores. EFE ecs/mh

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