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Partidos norte-irlandeses confiam que caso Robinson não bloqueia a política

Dublin, 12 jan (EFE).- Os principais partidos da Irlanda do Norte confiaram hoje em conseguir um acordo para a devolução ao Executivo autônomo dos poderes de Justiça e Interior, apesar das dúvidas surgidas pelo escândalo sexual e financeiro que provocou o afastamento temporário do premiê, Peter Robinson.

EFE |

Após reunir-se em Belfast, fontes do majoritário Partido Democrático Unionista (DUP) e do Sinn Féin emitiram mensagens positivas sobre a resolução de uma questão que os mantém enfrentados durante meses e que ameaça a estabilidade do Governo de poder compartilhado.

Com a vista posta nas seguintes rodadas de conversas, ambas as formações expressaram seu desejo de conseguir progressos que desemboqueiem um acordo sobre a data para a devolução ao Executivo das citadas competências, atualmente administradas por Londres.

O Sinn Féin, antigo braço político do inativo Exército Republicano Irlandês (IRA), quer completar o processo tão em breve como seja possível, enquanto DUP prefere proceder com cautela, em parte pela pressão exercida por seu setor mais conservador, contrário a um acordo com os republicanos, dos que ainda desconfia.

Embora ambas partes estão conformes com a contribuição monetária que ofereceu o Governo britânico para completar a devolução e coincidem em que os futuros responsáveis de Justiça e Interior não sairão de suas fileiras, o calendário final é ainda uma incógnita, o que mantém paralisado o processo de paz.

No entanto, a incerteza se acentuou desde a segunda-feira pelo afastamento temporário de Robinson, quem se retira do cargo durante seis semanas para que uma investigação governamental elucide se tinha conhecimento do dinheiro que sua esposa, Iris, recebeu de dois construtores e repassou ao seu jovem amante.

Dentro dos esforços efetuados para aplacar os efeitos deste escândalo sexual e financeiro, o ministro britânico para a Irlanda do Norte, Shaun Woodward, reúne-se hoje em Dublin com o titular irlandês de Exteriores, Michael Martin.

A situação preocupa a Londres e Dublin, pois temem que a desintegração do Executivo de poder compartilhado transforme a paralisia do processo de paz em uma crise de longa duração, justo quando a ameaça terrorista dos dissidentes do IRA está em seu ponto mais alto.

Em quanto que ao caso Robinson, o empresário imobiliário Ken Campbell afirmou hoje, por meio de um porta-voz, que faz vários anos doou entre 4,5 mil e 5,5 mil euros ao DUP e reconheceu que expediu um cheque de 25 mil libras (27,8 mil euros) à esposa do primeiro-ministro.

Negou que tenha efetuado contribuições econômicas pessoais ao casal.

Com esse dinheiro, mais a contribuição de um segundo construtor (55 mil euros no total), Iris Robinson ajudou o seu amante, um jovem 39 anos mais jovem que ela, a abrir uma cafeteria na capital norte-irlandesa, embora quando a relação terminou pediu que ele devolvesse parte da quantia recebida.

No mês passado, Iris Robinson informou que abandonava a política por razões de saúde e, após a divulgação do escândalo sexual e do suposto caso de tráfico de influência, renunciou as suas cadeiras no Parlamento de Londres e na Assembleia norte-irlandesa. EFE ja/dm

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