Os partidos de centro-direita ganharam terreno nas eleições para o Parlamento da União Europeia (UE) realizadas em 19 países neste domingo, segundo pesquisas de boca-de-urna. Os números preliminares sugerem também que esta eleição foi marcada pelo menor comparecimento já registrado, de 43,24% dos eleitores.

Ao todo, estão em jogo 736 cadeiras do Parlamento europeu.

Os primeiros resultados começaram a ser divulgados logo depois do fim da votação no início da noite. Além dos 19 países que votaram neste domingo, outros oito votaram nos dias anteriores, entre eles Grã-Bretanha e Irlanda.

Segundo a correspondente da BBC em Bruxelas Oana Lungescu, 375 milhões de pessoas nos 27 países da União Europeia estavam aptas a votar.

Lungescu acrescenta que o comparecimento dos eleitores vem caindo desde a primeira eleição direta para o Parlamento europeu, há 30 anos, mas este novo recorde na queda do comparecimento vai prejudicar a credibilidade do bloco e beneficiar os partidos menores.

Em 1979 o comparecimento ficou próximo dos 62% dos eleitores. Mas, em 2004, este número foi de 45,74%.

Estes partidos menores, de acordo com a correspondente, parecem ter se saído bem da Hungria à Holanda. Os partidos conservadores são os favoritos na França, Itália e Alemanha e os partidos de governo destes países parecem ter se saído relativamente bem.

Mas em países como Grécia e Hungria, os governos estão lutando contra a crise econômica e devem sofrer derrotas nesta votação.

Atividade

Segundo o editor da BBC para Europa Mark Mardell, o Parlamento em Bruxelas está vivendo dias de muita atividade.

Grupos de partidos quase literalmente estabeleceram suas "barracas" no caminho principal do prédio do Parlamento, junto com equipes de televisão em seus pequenos estúdios e outras, mais ricas, com grandes estúdios para transmissões.

Os eleitores escolheram representantes principalmente de seus partidos nacionais. Muitos deles então se juntarão a grupos maiores da União Europeia, que tenham ideias semelhantes, de outros países do bloco.

O maior grupo nos últimos cinco anos é o de centro-direita EPP (288 cadeiras), seguido pelo grupo de centro-esquerda PES (216 cadeiras) e o liberal ALDE (100).

Além do recorde no baixo comparecimento dos eleitores pelo bloco todo, alguns países também registraram os níveis mais baixos de participação em toda sua história, como foi o caso da França, com 40,5% de comparecimento, e da Alemanha, 42,2%.

Em Malta, por outro lado, é esperado o comparecimento de 80%. E, em Bruxelas, onde as longas filas foram registradas nos locais de votação, também se espera alto comparecimento.

Praias cheias

Na Grécia, as praias estiveram lotadas neste domingo, dando a impressão de que muitos preferiram ignorar o voto.

Os gregos estão entre os países em que se espera que os eleitores usem o voto para protestar contra o governo. A expectativa é de que isso aconteça também na Grã-Bretanha, na Espanha, na Hungria e na República Tcheca.

Os resultados do pleito é aguardado ansiosamente entre os britânicos, já que pode afetar a política nacional depois de semanas de crise no país.

A crise começou com o escândalo do reembolso de gastos pessoais de parlamentares, detonado pela publicação de relatórios de despesas apresentadas por integrantes do governo e da oposição.

Com isso, o partido do premiê britânico Gordon Brown, o Trabalhista, amargou derrotas nas eleições locais, enfrentou pedidos de renúncia e foi obrigado a realizar uma reforma ministerial.

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