Partidos da coalizão de Governo se preparam para recuperar poder na Tailândia

Gaspar Ruiz-Canela. Bangcoc, 3 dez (EFE).- Os políticos dos três partidos que continuam na coalizão governamental na Tailândia fecharam filas hoje para recuperar o poder com um novo primeiro-ministro, enquanto a oposição, como o Exército já havia feito, pediu a dissolução do Parlamento e a realização de eleições.

EFE |

O Parlamento escolherá na próxima segunda-feira o chefe de Governo que substituirá Somchai Wongsawat, inabilitado para o cargo pelo Tribunal Constitucional junto com outros 14 membros do Executivo, devido a uma fraude eleitoral no pleito realizado em dezembro do ano passado.

"Falei com o presidente do Parlamento e decidimos que a votação para o novo primeiro-ministro acontecerá em 8 de dezembro", disse aos jornalistas o chefe do Governo interino, Chavarat Charnvirakul.

O Tribunal Constitucional dissolveu o Partido do Poder do Povo (PPP) de Wongsawat, e outros dois, o Chart Thai (Nação Tailandesa) e o Matchimathipatai (Pela Democracia), que faziam parte de uma coalizão de Governo formada por suas legendas.

O anúncio da data da votação ocorreu no mesmo dia em que políticos das três legendas dissolvidas administravam sua inscrição no partido Puea Thai (Pela Tailândia), com o propósito de manter a maioria das cadeiras do Parlamento.

Neste próximo fim de semana, o Puea Thai - criado para disputar as eleições passadas - deve designar seu líder.

Segundo a imprensa local, os atuais ministros da Saúde, Chalerm Yoobamrung, e da Indústria, Mingkwan Saengsuwan, são os candidatos com maiores chances de substituir Wongsawat.

A escolha de Yoobamrung, polêmico político que ocupou diversos cargos em Governos anteriores, é provável que cause a retomada dos protestos nas ruas por parte dos simpatizantes da Aliança do Povo para a Democracia, protagonista da recém-concluída ocupação dos dois aeroportos da capital e da sede governamental.

No meio destas manobras de seus rivais políticos, o líder da oposição, Abhisit Vejjajiva, pediu a dissolução do Parlamento e a convocação de eleições antecipadas, para formar um Governo estável que supere a crise política e evite uma maior deterioração da economia do país.

A iniciativa do líder opositor foi a mesma a proposta feita uma semana antes pelo chefe do Exército, general Anupong Paochinda, e outro membros da cúpula militar, que reiteraram que um golpe de estado não resolverá a crise política.

Vejjajiva, líder do Partido Democrata, defendeu que o próximo Executivo seja empossado de acordo com o procedimento estabelecido pela Constituição, e rejeitou a possibilidade de formar um gabinete de união nacional.

Os líderes da Aliança antigovernamental, que utiliza a cor amarela como senha de identidade, ameaçaram voltar a ocupar os dois aeroportos de Bangcoc se o próximo Governo for dominado de novo pelos políticos do círculo do ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, deposto em setembro de 2007 por um golpe de estado militar.

A dissolução do partido de Wongsawat e sua inabilitação caíram como um balde de água fria sobre seus partidários, concentrados hoje pelo segundo dia consecutivo na esplanada em frente ao edifício do Governo de Bangcoc, para expressar sua rejeição.

Após passar a noite ao relento, os partidários da Aliança Democrática contra a Ditadura, conhecidos como os "vermelhos" por causa da cor das camisetas que vestem, continuavam no mesmo lugar para protestar contra a decisão adotada na terça-feira pelo Tribunal Constitucional em tempo recorde.

"Ontem, reunimos milhares de pessoas para expressar nosso apoio ao Governo e defender a democracia na Tailândia, e hoje voltaremos a fazer o mesmo", disseram à Agência Efe fontes do movimento governista.

O partido de Wongsawat era considerado a "reencarnação" do Thai Rak Thai (Tailandeses Amam Tailandeses), o partido fundado pelo ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, deposto no golpe de 2006, e que o Tribunal Constitucional dissolveu em maio do ano passado, também por causa de fraude eleitoral.

A dissolução das três legendas aconteceu uma semana depois de a antigovernamental Aliança do Povo para a Democracia ocupar os dois aeroportos de Bangcoc, com a intenção de forçar a renúncia do Governo.

Em setembro, o mesmo tribunal desabilitou o então primeiro-ministro e líder do agora dissolvido Partido do Poder do Povo, Samak Sundaravej, por violar a Constituição ao receber dinheiro para apresentar um programa culinário na televisão.

Segundo os especialistas, a atuação de Tribunal Constitucional abre um novo episódio da profunda crise política na Tailândia desde o levante dos militares em 2006. EFE grc/an

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