Por Peter Griffiths

LONDRES (Reuters) - O Partido Liberal Democrata britânico disse que as negociações para a formação de um governo no país entraram em uma nova fase na terça-feira, depois que o primeiro-ministro trabalhista Gordon Brown anunciou que renunciará para facilitar a montagem de uma coalizão de centro-esquerda.

Por Peter Griffiths

LONDRES (Reuters) - O Partido Liberal Democrata britânico disse que as negociações para a formação de um governo no país entraram em uma nova fase na terça-feira, depois que o primeiro-ministro trabalhista Gordon Brown anunciou que renunciará para facilitar a montagem de uma coalizão de centro-esquerda.

A declaração de Brown, na noite de segunda-feira, abalou os esforços do Partido Conservador (centro-direita) para governar em conjunto com os liberais democratas, depois do resultado não-conclusivo na eleição de quinta-feira passada, algo que não ocorria no país desde 1974.

Não está claro qual será o rumo dos liberal democratas. Mercados e eleitores esperam uma decisão rápida para acabar com o impasse político, e o dirigente partidário Nick Clegg afirmou que o processo entrou uma "fase crítica e final".

"Estou tão impaciente quanto qualquer um para levar isso adiante, resolver as coisas de um jeito ou de outro", disse Clegg.

Os conservadores formaram a maior bancada na eleição de quinta-feira, mas sem maioria absoluta para governar. Os trabalhistas ficaram em segundo lugar, bem à frente dos liberais democratas.

Enquanto negociadores trabalhistas e liberal democratas voltavam a se reunir no Parlamento, uma fonte trabalhista dizia que se trata de "uma decisão muitíssimo equilibrada, mas estamos claramente de volta ao jogo".

David Cameron, o líder conservador, afirmou ter chegado a "hora da decisão" para o partido de Clegg.

Investidores temem que a demora na formação do governo retarde a adoção de medidas para conter o déficit público recorde e estimular a recuperação econômica depois da pior recessão do pós-guerra.

"O mercado quer uma conclusão para isso, e enquanto estivermos sem uma conclusão o mercado vai continuar nervoso", disse um operador de títulos em Londres.

O chefe da instituição francesa de regulação dos mercados financeiros disse que a incerteza política deve afetar os mercados britânicos, mas que Londres não poderia depender de ajuda da UE numa eventual crise financeira.

"Os ingleses certamente serão alvejados, dadas as dificuldades políticas que têm. Ajudem a si mesmos, e o céu lhes ajudará", disse Jean-Pierre Jouyet, ex-ministro de Assuntos Europeus, à rádio Europe 1.

(Reportagem adicional de Crispian Balmer em Paris; Sumeet Desai, Kylie MacLellan, Jodie Ginsberg e Tim Castle)

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