Partido Unionista Democrático pede dissolução do Conselho Armado do IRA

Dublin, 2 set (EFE).- O majoritário Partido Unionista Democrático (DUP) afirmou hoje que a existência do Conselho Armado do Exército Republicano Irlandês (IRA), seu principal órgão de decisão, cria obstáculos para o avanço do processo político na Irlanda do Norte, o que o levou a pedir a dissolução da entidade.

EFE |

O principal ministro norte-irlandês e líder do DUP, Peter Robinson, impôs esta condição para abordar a transferência dos poderes da Justiça e do Interior ao Executivo de poder compartilhado entre católicos e protestantes.

Robinson fez estas declarações após se reunir hoje em Belfast com o chefe do Serviço de Polícia da Irlanda do Norte, Hugh Orde, que confirmou que o Conselho Armado do IRA, composto por sete pessoas, continua ativo, mas não está envolvido em atividades terroristas.

"Não acho que estejamos em disposição de avançar (politicamente).

Aceito o que (Orde) me disse, que não se reúnem para conversar sobre terrorismo. No entanto, pedimos a dissolução de Conselho Armado do IRA, como insistimos sempre", declarou Robinson.

A respeito disto, a Comissão Independente de Monitoramento (IMC) apresentará amanhã um relatório sobre as estruturas do IRA e das outras organizações paramilitares da região.

O décimo nono relatório elaborado pela IMC inclui, a pedido dos Executivos britânico e norte-irlandês, um anexo sobre o "futuro do IRA", que analisa a situação de seu Conselho Armado, considerado pela organização como o Governo legítimo da ilha da Irlanda.

A análise anterior, publicada em maio, pedia que todos os grupos paramilitares demonstrassem que "eliminaram definitivamente todas as suas armas e capacidades terroristas". Além disso, dizia em referência ao IRA que "este processo não foi completado".

O novo relatório da IMC tentará "lançar luz" sobre este assunto, segundo fontes oficiais.

Segundo o DUP, membros do Sinn Féin (braço político do IRA) no Executivo norte-irlandês consideram o Conselho Armado uma "ameaça" para a política na região.

Sua existência, segundo o DUP, impede que Londres transfira atualmente ao Governo autônomo as competências em matéria de Justiça e Interior, tal como reivindica o Sinn Féin.

Ao contrário do Sinn Féin, o DUP considera prematura a transferência destas áreas para o Executivo de Belfast, pois ainda duvida do compromisso do IRA com o processo de paz.

O Sinn Féin chegou a ameaçar abandonar o Governo de poder compartilhado, que deveria se reunir de novo em meados deste mês após as férias, o que provocaria uma nova crise institucional na Irlanda do Norte. EFE ja/wr/fal

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