JERUSALÉM - O partido ultra-ortodoxo Shas anunciou hoje que não fará parte do Governo que vinha sendo formado pela ministra de Relações Exteriores, Tzipi Livni, deixando-a em sérias dificuldades para conseguir a maioria parlamentar.

Acordo Ortográfico A decisão foi tomada pelo líder espiritual do Shas, o rabino Ovadia Yossef, 87 anos, após consultar o Conselho de Sábios da Torah, a instância suprema do partido, informaram fontes do Shas.

"Apresentamos propostas para resolver a pobreza em Jerusalém, mas não as aceitaram", diz um comunicado com o qual o partido Shas justifica sua decisão de interromper as negociações políticas e ficar fora da coalizão governamental.

Segundo a nota, "não podemos nos desinteressar pelas dificuldades e necessidades que nestes dias aparecem no relatório dos estados desenvolvidos, e que situa Israel no primeiro lugar do ranking de pobreza. Portanto, não poderemos fazer parte da coalizão", conclui.

O Shas, que tem 11 deputados na Knesset (Parlamento), negociava há três semanas com o partido Kadima, presidido por Livni, sua incorporação ao Governo que deve substituir o do primeiro-ministro Ehud Olmert, que renunciou em 21 de setembro por suspeitas de corrupção.

Nas últimas negociações, ontem à noite, os negociadores do Kadima insistiram que não podem satisfazer a reivindicação de mais de 1 bilhão de shekels (cerca de US$ 258 milhões) em ajudas a crianças que exigiam os ultra-ortodoxos, e que a decisão era deles.

Hoje, o Conselho de Sábios do Shas resolveu, em votação telefônica, manter-se à margem e sair do Executivo.

Apuros

AP

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israelense está ameaçada

A resolução dos religiosos põe em sérios apuros a primeira-ministra indicada, que se vê com o apoio de somente 55 dos 120 deputados do Parlamento.

Ontem, Livni anunciou ao grupo parlamentar do Kadima que no domingo se reunirá com o presidente israelense, Shimon Peres, para lhe informar da situação e afirmou que, depois, "a opinião pública saberá se teremos eleições (antecipadas)".

Pesquisas de opinião mostram que o partido de oposição, o Likud, liderado por Binyamin Netanyahu, poderá surgir como o partido mais forte, caso realmente ocorram eleições.

O centrista Kadima e seus aliados trabalhistas, de centro-esquerda, dizem que não é hora de perturbar o processo de paz com eleições antecipadas, ainda mais num momento de crise econômica global.

Eli Yishai, dirigente do Shas e atual ministro de Indústria e Comércio, disse que seu partido "não pode ser comprado e não vai vender Jerusalém". "Essa tem sido a nossa linha consistente durante as negociações", acrescentou.

Israel, que conquistou a parte leste de Jerusalém na guerra de 1967, considera a cidade como sua "capital eterna e indivisível". Já os palestinos pleiteiam Jerusalém Oriental como capital de seu eventual Estado.

Em seu governo, Olmert demonstrava abertura para discutir a partilha da cidade, que no entanto o Shas considera não ser "uma mercadoria à venda".

"Se pudesse haver um compromisso de que não haverá negociações sobre Jerusalém , poderíamos recomendar ao partido que aprove o acordo", disse Yishai.


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