Partido Trabalhista deve sofrer sua pior derrota em Israel

Por Ori Lewis JERUSALÉM (Reuters) - O Partido Trabalhista, que dominou a política de Israel durante metade dos 60 anos do país, deve sofrer na terça-feira a pior derrota eleitoral da sua história.

Reuters |

O partido de centro-esquerda, que já teve em sua fileira estadistas do porte de David Ben Gurion, vem constantemente perdendo espaço desde o final da década de 1960, refletindo uma mudança da opinião pública para a direita.

O declínio se acelerou sob o governo de Ehud Barak, o militar mais condecorado de Israel, cujas políticas, na opinião de alguns militantes trabalhistas, deveriam ser mais moderadas.

O trabalhismo estabeleceu os acordos provisórios de paz com os palestinos na década de 1990, sob a liderança dos políticos Yitzhak Rabin, assassinado em 1995 por um nacionalista judeu, e Shimon Peres, hoje presidente de Israel (um cargo protocolar).

Como primeiro-ministro (1999-2001), Barak retirou as tropas israelenses do sul do Líbano e estabeleceu um diálogo, afinal infrutífero, com a Síria e os palestinos.

Se as pesquisas estiverem corretas, a atual bancada trabalhista de 19 deputados - a menor do partido em sua história - deve encolher ainda mais. O Parlamento tem 120 deputados.

As pesquisas indicam consistentemente a vitória de Benjamin Netanyahu, do partido direitista Likud, cuja bancada de 12 deputados deve pelo menos dobrar. A chanceler Tzipi Livni, do centrista Kadima, vem logo atrás, e o ultradireitista Avigdor Lieberman disputa o terceiro lugar com os trabalhistas.

Embora as pesquisas apontem um avanço eleitoral de Barak, que é ministro da Defesa, durante a recente ofensiva militar na Faixa de Gaza, isso não parece suficiente para convencer o eleitorado a votar num partido de centro-esquerda.

O analista político Shmuel Sandler disse que, apesar da previsão de queda, o Partido Trabalhista pode continuar participando do governo.

"Certamente há razão para que o Likud queira se ligar ao Trabalhista no próximo governo a fim de isolar o Kadima...Na política, você faz o que é necessário para ficar vivo", afirmou.

Para Sandler, o problema do partido deriva da inadequação de Barak para a liderança de um partido esquerdista. "O trabalhismo está impopular porque tem o líder errado. As inclinações de Barak são centristas demais para um partido à esquerda do centro. Ele deveria estar no Kadima ou no Likud", disse Sandler.

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