Partido sul-africano suspende líder da ala juvenil condenado por incitar ódio

Julius Malema promete recorrer de decisão do CNA, legenda do governo, que determinou suspensão por cinco anos

iG São Paulo |

O Congresso Nacional Africano (CNA), partido do governo da África do Sul, anunciou nesta quinta-feira a suspensão por cinco anos do líder da ala juvenil da legenda, Julius Malema. Em setembro, um tribunal de Johanesburgo considerou Malema culpado de incitar o ódio .

“Os atos pelos quais Malema foi considerado culpado são muito graves e prejudicaram a integridade do CNA e a reputação internacional da África do Suk”, afirmou o presidente do comitê disciplinar do partido, Derek Hanekom, em anúncio transmitido ao vivo pela TV.

AP
Manifestante mostra cartaz de apoio a Malema em frente à sede do CNA em Johanesburgo, na África do Sul

Malema disse que vai recorrer da decisão. “Não estamos intimidados”, afirmou, em discurso para partidários na cidade de Polowane. “O CNA é nossa casa”.

A condenação em setembro aconteceu após Malema utilizar em suas manifestações a canção histórica da luta antiapartheid "Mate os Boers". "Entoar esse canto é uma incitação ao ódio", concluiu o juiz Colin Lamont.

A letra da canção ataca os fazendeiros brancos (boers) e, em geral, os afrikaners, acusados na canção de serem "estupradores" e "ladrões".

O juiz Lamont foi mais longe que o AfriForum - organização branca da África do Sul - tinha exigido na acusação contra Malema, dizendo que todos os africanos, não só Julius Malema, devem abster-se de cantar "Mate os Boers". De acordo com a decisão, processos criminais já podem ser abertos contra aqueles que entoarem a música ou citarem sua letra.

Os partidários de Malema, porém, continuam usando a canção em protestos. Segundo eles, o canto é inofensivo, pertence à história do país e não é dirigido a alguém, mas, sim, ao sistema.

Para Lamont, desde 1994, quando o apartheid chegou ao fim, "o inimigo se converteu em amigo, em irmão. Os membros da sociedade devem aceitar todos os cidadãos como irmãos".

Malema, 30 anos, foi um aliado próximo do presidente da África do Sul, Jacob Zuma. Depois, porém, tornou-se crítico de várias políticas do líder e do CNA, adotando um tom populista que faz sucesso entre os marginalizados da África do Sul pós-apartheid.

Malema conta com o apoio de Winnie Madikizela-Mandela, ex-mulher de Nelson Mandela.

Com AP e AFP

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