Partido Socialista francês abre seu congresso, em ambiente de batalha interna

Paris, 14 nov (EFE).- O Partido Socialista (PS) francês abriu hoje em Reims (nordeste) seu 75º Congresso, que deverá designar o sucessor de François Hollande à frente da legenda, um que desponta como uma batalha entre a ex-candidata presidencial Ségòlene Royal e o resto das correntes internas do partido.

EFE |

Os prefeitos de Paris, Bertrand Delanoe, e de Lille, Martine Aubry, além do representante da ala esquerda do partido Benoit Hamon, liderados pelo resto dos movimentos internos, que protagonizaram nos últimos dias processos de distanciamento da ex-candidata.

Royal, presidente da região de Poitot-Charentes, encarna a corrente melhor representada no Congresso, já que seu projeto político foi o mais apoiado pelos militantes no último dia 6, quando obteve 29% dos votos.

Pragmática ideologicamente, Royal é a que mais mudanças propõe no partido, que pretende transformar em uma máquina forte capaz de enfrentar nas eleições presidenciais de 2012 o conservador Nicolas Sarkozy.

Delanoe ficou em segundo com 25,2% dos votos, apesar de contar com o apoio do primeiro-secretário e de boa parte da atual direção, que o considera o candidato da continuidade.

Aubry, que reúne em sua candidatura correntes lideradas no passado pelo ex-primeiro-ministro Laurent Fabius e pelo atual diretor do Fundo Monetário Internacional, Dominique Strauss-Kahn, obteve 24,3% dos votos, na frente de Hamon (18,4%), que representa a asa mais esquerdista da legenda.

Sem revelar se optará pessoalmente à direção do PS ou se proporá como candidato um membro de sua equipe, Royal deu há poucos dias o primeiro passo para formar uma candidatura única em torno de seu texto político, mas o resto dos líderes não parecem dispostos a segui-la.

Aubry e Hamon a consideram pouco progressista e expressaram sua rejeição de forma pública, ao mesmo tempo que começaram a agir para formar uma frente anti-Royal.

"Acho que a concepção do PS de Royal não é compartilhada pela maioria", assegurou Fabius, que pediu a união das outras três correntes para deter o avanço da ex-candidata à Presidência.

Mais ambíguo aparece o entorno de Delanoe, que mistura personalidades abertas a um pacto com Royal e outras hostis a ela.

Entre os principais pontos de divergência está o desejo de Royal de fazer do PS "um grande partido democrático, popular e de mobilização social", o que implica abri-lo a uma militância ampla, para o qual preconiza uma redução das cotas de afiliação.

Delanoe discorda, aposta em manter o PS como "uma vanguarda" de esquerda e não compartilha a idéia de Royal de abrir a porta a alianças com legendas de centro, como o MoDem de François Bayrou.

Delanoe, Aubry e Hamon se reuniram hoje em Paris horas antes de viajar para Reims, o que faz pensar que os esforços para elaborar uma frente de oposição à ex-candidata presidencial continuam.

Não é a primeira vez que Royal é freada por seu partido. No ano passado se queixou da falta de apoio do aparelho do PS durante a campanha que perdeu contra o conservador Sarkozy.

A presidente de Poitot-Charentes conseguiu então se tornar a candidata socialista ao Palácio do Eliseu em processo de primárias no qual venceu Fabius e Strauss-Kahn, mas não teve o apoio de muitos líderes socialistas em sua corrida para se transformar na primeira mulher a chegar ao Palácio do Eliseu.

O Congresso de Reims - composto por 631 delegados divididos em função do apoio conseguido por cada corrente - deverá designar a chamada "comissão de resoluções", integrada por 102 membros e encarregada de elaborar um texto de síntese entre todas as correntes. EFE lmpg/ma

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