Partido peronista inicia processo de reestruturação

Buenos Aires, 30 jun (EFE).- O novo líder do Partido Justicialista argentino (PJ, peronismo), Daniel Scioli, começou hoje a debater com os barões peronistas a melhor forma de tirar a legenda da crise em que mergulhou após a recente derrota nas eleições legislativas da Argentina.

EFE |

Scioli, que governa a província de Buenos Aires, maior distrito eleitoral do país e tradicional reduto peronista, conversou por telefone com alguns dos governadores mais influentes do partido.

O resultado foi o agendamento de reuniões com dois "pesos pesados" do peronismo: o poderoso líder sindical Hugo Moyano e o governador de Chubut, Mario das Neves.

"A eleição passou. Quero ouvir todos, quero saber o que cada um está pensando. Temos dois anos e meio até a próxima eleição", afirmou Scioli, que cresceu politicamente à sombra do ex-presidente Néstor Kirchner, obrigado a renunciar ao cargo de líder do PJ depois do pleito do último domingo.

Neves, da ala contrária a Kirchner e à sua mulher e sucessora, Cristina Fernández, cogita se lançar na corrida presidencial de 2011 após os bons resultados que o peronismo que obteve nas eleições legislativas.

A derrota sofrida pelo Governo argentino no domingo, quando perdeu a maioria parlamentar e recebeu apenas três de cada dez votos, confirma, segundo Neves, que "o kirchnerismo acabou".

"Terminou uma forma de atuar e de ser, e o povo descontou na eleição porque tenta buscar um homem que tenha a ver com o bom senso, que seja parecido com eles. De modo geral, foi um voto de castigo, uma forma de dizer as coisas", disse Neves após a reunião com o novo líder peronista e vice-presidente do PJ.

Na opinião do governador de Chubut, o empresário Francisco de Narváez, um peronista dissidente aliado à direita que venceu Kirchner na província de Buenos Aires, é um "produto de marketing" que canalizou o voto de insatisfação da população.

Neves não poupou críticas à estratégia adotada por Kirchner nas eleições, que incluía listas testemunhais com candidatos que não assumiriam suas cadeiras no Parlamento, nem à demora do ex-presidente em reconhecer a derrota na jornada eleitoral.

O político também avançou sobre Cristina Fernández, que ontem minimizou a derrota do Governo e disse que não tem intenção de remodelar o gabinete nem mudar sua política.

"A matemática não é para o dia seguinte ao pleito" e "não queremos que tirem sarro de nós", destacou o governador.

Segundo Neves, "o peronismo transcende aos homens", por isso é preciso "um espaço para discutir estas questões".

O desafio do PJ é "reativar um pouco o peronismo" e "unir aqueles que por diferentes razões não estão unidos", declarou, por sua vez, o sindicalista que é o segundo vice-presidente do partido.

Moyano, que nas próximas horas vai se reunir com Scioli, disse que, com a decisão de renunciar à liderança do PJ, talvez Kirchner passe a "se dedicar mais a esta nova função que tem como legislador" e a permitir que os peronistas "sigam com Scioli como presidente reativando um pouco" o partido.

"Será preciso ver o que acontece daqui para frente" para que seja possível definir "não só o futuro de Kirchner como o futuro (político) de muitos", afirmou.

O governador de San Juan, José Luis Gioja, um dos primeiros a conversar com Scioli nesta terça-feira, disse que "não é hora de fazer lenha de árvore caída", em alusão à renúncia de Kirchner, e defendeu a democratização dos mecanismos dentro da legenda.

A derrota sofrida pelo peronismo no domingo foi a pior desde 2003, quando começou a chamada "era K(irchner)".

Na província de Buenos Aires, decisiva para a eleição presidencial, o Governo teve sua pior votação em duas décadas: recebeu menos de 33% dos votos.

A perda da maioria parlamentar obrigará o Governo a negociar com a oposição a partir de 10 de dezembro, quando tomem posse os legisladores recém-eleitos. EFE mar/sc

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