Partido Liberal-Democrata britânico pode ser fiel da balança nas eleições

Patricia Rodríguez. Londres, 4 mai (EFE).

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Patricia Rodríguez. Londres, 4 mai (EFE).- O Partido Liberal-Democrata britânico, liderado por Nick Clegg, enfrenta as eleições gerais do próximo dia 6 no Reino Unido consciente de que seu papel pode ser decisivo para a formação do próximo Governo. A pesquisa sobre intenções de voto divulgada na semana passada pela empresa YouGov dá aos conservadores 34% dos votos, 31% aos liberal-democratas e 27% aos trabalhistas. No entanto, devido ao peculiar sistema eleitoral britânico os liberal-democratas têm poucas probabilidades de quebrar o imperante sistema bipartidário de trabalhistas e conservadores. Mas, depois do sucesso de Clegg nos debates eleitorais e a possibilidade de que nenhum dos dois grandes partidos obtenha a maioria absoluta, pela primeira vez os liberais-democratas podem ter a chave do próximo Governo dependendo de com quem decidam se aliar. Os liberais se declaram defensores do liberalismo social e contrários ao intervencionismo estatal, defendem a reforma de um sistema eleitoral que favorece o bipartidarismo, já que o tradicional método de maioria simples propicia a alternância no poder de trabalhistas e "tories". Ao longo da campanha eleitoral, Clegg destacou que um voto em seu partido contribuirá para acabar com a dominação desde a Segunda Guerra Mundial de "tories" (conservadores) e trabalhistas. Em um pronunciamento em Londres para a imprensa estrangeira, Clegg acusou o líder "tory", David Cameron, e o primeiro-ministro trabalhista, Gordon Brown, de serem "os únicos" que não se inteiraram de que esse esquema britânico, dominado por dois partidos, chegou a seu fim. Seu manifesto defende uma fiscalização mais forte para evitar que quem tem mais patrimônio continue se beneficiando de todo tipo de lacunas legais para evitar o pagamento de impostos. Clegg é contra os grandes bancos e defende entidades menores para que exista uma separação entre as atividades de bancos de investimento e varejo, o que, na sua opinião, teria contribuído para evitar a crise. Após os abusos do sistema de despesas dos deputados, que afundaram o Parlamento no descrédito, o partido de Clegg propõe que os deputados corruptos possam ser expulsos da Câmara. Com 62 deputados atualmente na Câmara dos Comuns, composta por um total de 646, este partido foi fundado, oficialmente, em 1988, quando se juntaram forças do chamado Partido Social Democrata - cisão do partido Trabalhista em 1980 - e do Partido Liberal. Estes dois partidos se uniram em um programa eleitoral conjunto para o pleito de 1983, quando obtiveram 23 cadeiras, e voltaram a se alia para as eleições de 1987. O sucesso dessa união derivou em 1988 na formação de um único partido, cujo primeiro líder foi Paddy Ashdown. O começo do partido não foi fácil e nas eleições europeias de 1989, "Os Verdes" o deixaram em quarto lugar. Com o tempo, conseguiu crescer e nas eleições legislativas de 1992 obteve 20 cadeiras. Em 1997, ano no qual o então líder trabalhista Tony Blair venceu por maioria absoluta, o partido conseguiu subir para 46. Após a renúncia de Ashdown em 1999 e sua substituição por Charles Kennedy - que se manteve à frente da liderança até que seus problemas com o álcool também forçassem sua renúncia em 2006 -, o partido experimentou um crescimento nas eleições de 2001, nas quais conseguiu 52 cadeiras. Sua taxativa oposição à invasão do Iraque pelo Reino junto com os Estados Unidos contribuiu para que Kennedy gozasse de um grande momento de popularidade. No pleito parlamentar de 2005, o Liberal-Democrata conseguiu seu melhor resultado, com 62 cadeiras. Esse ano, o partido reivindicou a reforma do sistema eleitoral, já que - apesar de obter cerca de um quarto dos votos - só ficou com uma décima parte das cadeiras devido às peculiaridades do sistema eleitoral deste país. O veterano e popular ex-atleta olímpico Menzies Campbell substituiu Kennedy, apesar de seus 66 anos de idade. Mas uma notável diminuição da popularidade do partido fez com que sua liderança caísse, o que o levou a abandonar o cargo em 2007. EFE prc/ma/mh

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