Harare, 7 mar (EFE).- O partido Movimento para a Mudança Democrática (MDC), do primeiro-ministro do Zimbábue, Morgan Tsvangirai, disse hoje que investigará as causas do acidente de trânsito que deixou o líder levemente ferido e que matou sua esposa, Susan.

O episódio ocorreu no meio da tarde de sexta-feira, enquanto o casal viajava para a casa que tem na zona rural de Buhera, situada 170 quilômetros ao sul da capital zimbabuana.

A mulher de Tsvangirai morreu em decorrência dos graves ferimentos sofridos, pouco após ser levada ao hospital.

O líder do MDC, que sofreu contusões leves e pequenos cortes na cabeça e no peito, foi levado hoje a outro país após receber alta no hospital de Harare no qual foi internado na sexta-feira, confirmou à Agência Efe o porta-voz da legenda, Nelson Chamisa.

"Após ter consultado a família e o Governo do Zimbábue, decidimos tirar Tsvangirai do país para que possa receber um melhor atendimento médico", afirmou Chamisa, que não quis revelar o destino do primeiro-ministro.

"É só uma medida preventiva, pois Tsvangirai permanece estável", acrescentou.

O secretário-geral do MDC, Tendai Biti, que anunciou que o partido realizaria uma investigação independente para esclarecer as causa exatas do acidente, afirmou que a tragédia poderia ter sido evitada se o primeiro-ministro tivesse sido escoltado pela Polícia.

"O lógico teria sido que o Governo fornecesse a Tsvangirai uma escolta policial para advertir aos outros veículos de sua presença, e esta tragédia não teria acontecido", declarou Biti, visivelmente emocionado.

As especulações sobre um complô por parte do Governo para tentar matar o rival político do presidente Robert Mugabe já começaram a se espalhar pelo país, já que o partido do presidente, a União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF) foi acusado em outras ocasiões de assassinar seguidores do MDC.

No entanto, a legenda opositora se apressou hoje a assegurar que o veículo no qual Tsvangirai se encontrava, de uso particular, era dirigido por seu próprio motorista, e não por um funcionário do Estado, e, por isso, é pouco provável que o acidente tenha sido intencional.

Além disso, o MDC afirmou que o caminhão que atingiu o carro do primeiro-ministro transportava ajuda humanitária de uma organização americana, país que impôs sanções ao Governo de Mugabe e que mostrou seu apoio a Tsvangirai em reiteradas ocasiões.

O MDC informou que deve ser realizado um funeral de Estado em memória de Susan Tsvangirai, mas "os detalhes da cerimônia serão divulgados após consultar o Governo". EFE tm/db

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