CARTUM (Reuters) - O partido governista do Sudão, aparentemente reagindo às acusações de fraude eleitoral, disse na quarta-feira que convidará grupos de oposição para participarem do governo, caso seja confirmada a sua vitória nas eleições em curso no maior país da África, importante produtor de petróleo. O pleito presidencial e parlamentar começou há quatro dias, trazendo a promessa de restauração da democracia, mais de duas décadas após um golpe militar.

Mas a credibilidade da eleição foi posta em dúvida desde que os principais partidos da oposição decidiram boicotar grande parte do processo, acusando o presidente Omar Hassan al Bashir e o seu Partido do Congresso Nacional (PCN) de manipulações generalizadas.

"Se formos declarados vencedores nas eleições (...), estenderíamos o convite a todos os partidos, até àqueles que não participaram nas eleições, para aderirem ao governo, porque acreditamos que este é um momento crítico na nossa história," disse Ghazi Salaheddin, dirigente do PCN, partido com raízes no norte do Sudão.

As eleições foram realizadas em cumprimento a um acordo de paz, em 2005, que encerrou mais de duas décadas de guerra civil entre o norte, majoritariamente muçulmano, e o sul, cristão e animista. O acordo prevê também um referendo sobre a secessão do sul, em janeiro de 2011.

O sulista Movimento de Libertação do Povo do Sudão (MLPS) convocou um boicote eleitoral, gerando temores de instabilidade até o referendo do ano que vem. Nem o MLPS nem outros partidos da oposição favoráveis ao boicote, como o partido Umma, se manifestaram sobre a oferta de Salaheddin.

(Reportagem de Andrew Heavens)

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