Partido governista escolhe Taro Aso como novo premiê do Japão

Por Chisa Fujioka TÓQUIO (Reuters) - Nacionalista, defensor de gastos governamentais e da redução de impostos e sem travas na língua, Taro Aso venceu nesta segunda-feira a disputa para se tornar o próximo primeiro-ministro do Japão e rapidamente voltou suas atenções para uma eleição esperada para os próximos meses.

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Aso, ex-ministro das Relações Exteriores, obteve a liderança do governista Partido Liberal Democrático (PLD) com larga vantagem para assumir o lugar de Yasuo Fukuda, que se demitiu no início do mês no momento em que a economia japonesa flerta com a recessão e ainda enfrenta os estragos da crise em Wall Street.

'Enquanto viajava pelo país, fiquei ainda mais convencido de que a economia está em recessão', disse Aso, de 68 anos, em uma coletiva de imprensa, depois de garantir a liderança partidária, acrescentando que sua prioridade é revitalizar a economia antes de lidar com uma enorme dívida púbica.

Mas Aso pode ter pouco tempo para reviver a segunda maior economia do mundo se, como dizem mídia e especialistas, conclamar uma eleição antecipada para a poderosa câmara baixa do parlamento japonês.

'Aqui presente, sinto que este é o destino de Taro Aso', disse Aso, neto de um primeiro-ministro, aos membros do PLD depois de obter 351 dos 525 votos válidos do partido.

'Mas o PLD, como partido do governo, deve lutar resolutamente contra o opositor Partido Democrata na próxima eleição, e somente quando tivermos vencido esta eleição eu terei cumprido meu destino.'

Aso, que deve ser confirmado como primeiro-ministro na quarta-feira em virtude da maioria do bloco governista na câmara baixa do parlamento, será o terceiro premiê japonês em um ano. Seus dois antecessores desistiram diante de um parlamento obstruído, onde a oposição controla a câmara alta e pode trancar a pauta de votações.

'Provavelmente surgirá um governo fraco como resultado dessa eleição', disse Gerry Curtis, professor da Universidade Columbia. 'O Japão não estará em posição de desempenhar um papel mais dinâmico nos assuntos mundiais. Ficará mais e mais voltado para si mesmo.'

O bloco situacionista deve perder na próxima eleição a maioria de dois terços na câmara baixa que lhe permite derrubar vetos da câmara alta, e analistas dizem que uma vitória clara para qualquer lado pode ser enganosa, levando a uma paralisia institucional ainda maior.

Aso, que quer cortar impostos para o setor privado e investidores de ações, disse que o objetivo de equilibrar o orçamento japonês até 2012 pode ser adiado, uma postura que alarmou os defensores da reforma fiscal em seu partido mas que encantou facções partidárias de olho nas eleições.

Aso obteve cinco vezes mais votos que seu adversário mais próximo em sua quarta tentativa de conquistar o posto máximo do partido.

O ministro da economia Kaoru Yosano, um conservador na área fiscal, ficou em um distante segundo lugar com 66 votos, e a ex-ministra da defesa Yuriko Koike chegou em terceiro, com 46 votos em sua tentativa de se tornar a primeira mulher premiê do Japão.

A mídia japonesa disse que uma eleição poderia ser convocada já para o dia 26 de outubro para aproveitar ao máximo o apoio popular, embora Aso tenha dito que sua prioridade é aprovar um orçamento extra para apoiar a economia.

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