Partido governista do Zimbábue perde maioria no Parlamento

Pela primeira vez desde a independência do Zimbábue, em 1980, o partido do presidente Robert Mugabe perdeu a maioria no Parlamento. Segundo os resultados oficiais das eleições parlamentares, divulgados nesta quarta-feira pela Comissão Eleitoral do Zimbábue, o partido de Mugabe, o Zanu-PF, conquistou 97 das 210 cadeiras.

BBC Brasil |

O oposicionista Movimento para a Mudança Democrática (MDC, na sigla em inglês) ficou com 99 assentos no Parlamento.

As eleições parlamentares foram realizadas no último sábado. No mesmo dia, os eleitores também votaram para presidente.

No entanto, os resultados do pleito presidencial ainda não foram divulgados.

O MDC, que é o principal partido de oposição no Zimbábue, disse nesta quarta-feira que seu líder, Morgan Tsvangirai, venceu as eleições presidenciais.

Para apoiar sua afirmação, o MDC divulgou seus próprios resultados. Em uma entrevista coletiva, o secretário-geral do partido, Tendai Biti, disse que Morgan Tsvangirai havia recebido 50,3% dos votos, e Mugabe, 43,8%.

Se esse resultado estiver correto, Tsvangirai seria eleito sem necessidade de segundo turno.

Biti disse também que há "ansiedade e decepção" com o fato de a Comissão Eleitoral ainda não ter divulgado os resultados do pleito presidencial.

O secretário-geral do MDC afirmou, porém, que caso a Comissão Eleitoral decida que nenhum dos dois principais candidatos à Presidência foi o vencedor, seu partido estaria pronto para enfrentar um segundo turno.

"Alegação irresponsável"
O partido governista rejeitou as alegações de vitória do MDC na eleição presidencial. O vice-ministro de Informação, Bright Matonga, disse que essa alegação é "irresponsável" e pode incitar a violência.

Em entrevista à BBC, Matonga afirmou que o padrão de resultados das eleições parlamentares sugere que haverá segundo turno na eleição presidencial.

Matonga disse ainda que o atraso na divulgação dos resultados oficiais se deve à complexidade do processo, já que 75% dos eleitores vivem em áreas rurais.

Segundo o correspondente da BBC em Johanesburgo, Grant Ferrett, apesar de a divulgação dos resultados das eleições parlamentares ser importante, é o presidente que tem o maior poder no Zimbábue.

Mais cedo, a Rede de Apoio Eleitoral do Zimbábue, que reúne organizações da sociedade civil, havia divulgado seu próprio resultado da eleição presidencial, baseado em amostras dos locais de votação.

Segundo essa organização, Tsvangirai obteve 49% dos votos, e Mugabe, 42%.

O embaixador do Zimbábue na Organização das Nações Unidas (ONU), Boniface Chidyausiku, disse à BBC que Mugabe não tem intenção de deixar o país.

"Robert Mugabe é zimbabuano", disse Chidyausiku. "Ele dedicou sua vida a trabalhar pelo Zimbábue. Por que ele deveria escolher outro país?"
Chidyausiku disse que Mugabe ainda tem trabalho a fazer, para pôr fim à crise econômica enfrentada pelo país que, segundo o governo do Zimbábue, é causada por "forças externas".

Mugabe não é visto em público desde o dia das eleições. Aos 84 anos, ele governa o Zimbábue desde a independência do país, em 1980, e busca um sexto mandato.

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