Partido governista declara vitória na eleição sul-africana

Por Gordon Bell JOHANESBURGO (Reuters) - O partido Congresso Nacional Africano declarou na sexta-feira sua vitória na eleição geral desta semana, que deve levar seu líder Jacob Zuma à Presidência do país.

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Com mais de 90 por cento dos votos apurados, o CNA tem 66,28 por cento, um pouco aquém da maioria de dois terços que lhe permitiria emendar a Constituição, um cenário temido por investidores estrangeiros.

"O CNA recebeu um mandato claro e retumbante", disse o dirigente partidário Matthews Phosa, tesoureiro-geral do partido, a milhares de seguidores numa festa em Johanesburgo. "O CNA vai governar este país pelos próximos cinco anos."

Diante de uma oposição mais articulada do que no último pleito, o CNA não conseguiu repetir a votação de 70 por cento que recebeu em 2004, e aparentemente perdeu para a Aliança Democrática o controle da província do Cabo Ocidental, principal reduto turístico da África do Sul.

Apesar do desgaste provocado por 15 anos de governo, sem avanços significativos na luta contra a pobreza, a criminalidade e a Aids, o CNA conseguiu fazer valer o seu histórico de partido da resistência ao apartheid.

Sob a liderança da branca Helen Zille, a Aliança Democrática obteve cerca de 16,2 por cento dos votos. O Congresso do Povo, formado em 2008 por dissidentes do CNA, teve menos de 7,5 por cento.

Zuma, de 67 anos, se torna presidente três semanas depois de conseguir que o Ministério Público arquivasse um caso de corrupção que se arrastava havia oito anos. O caso foi arquivado por uma tecnicalidade, mas seguidores de Zuma dizem que ele estava sendo alvo de uma perseguição política.

Alguns investidores temem que sindicalistas aliados do futuro presidente o levem para a esquerda, embora o próprio Zuma diga que não haverá surpresas na política econômica, num momento em que a África do Sul pode estar vivendo sua primeira recessão em 17 anos. O atual ministro das Finanças, Trevor Manuel, deve permanecer no cargo, para alívio dos mercados.

"A fim de lidar com o impacto da recessão eles terão de ser um governo mais efetivo do que o CNA tem sido no passado", disse Steven Friedman, diretor do Centro para o Estudo da Democracia.

As autoridades estimam que o comparecimento às urnas foi de 76 por cento. Observadores de 15 países africanos disseram na sexta-feira que a eleição foi livre e limpa.

(Reportagem adicional de Phumza Macanda, Gugulakhe Lourie, Serena Chaudhry e Stella Mapenzauswa em Pretória, Gordon Bell, Edward Cropley, Rebecca Harrison e Michael Georgy em Johanesburgo)

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