Partido governista comemora vitória expressiva na África do Sul

JOHANESBURGO - O Congresso Nacional Africano (CNA) comemora, nesta quinta-feira, a vitória expressiva nas eleições gerais realizadas na última quarta-feira na África do Sul. Com aproximadamente 50% dos votos apurados, tudo indica que o líder da legenda, Jacob Zuma, será o próximo presidente sul-africano.

EFE |


"Estamos satisfeitos com o andamento das coisas", disse aos jornalistas a porta-voz do CNA, Jessie Duarte, ao saber que o percentual de votos do partido rondava os 66%, enquanto Zuma cantava e dançava com os seguidores na festa organizada pela legenda em sua sede de Johanesburgo.

Em um palanque em frente à sede do partido, com uma jaqueta preta e acompanhado por um grupo musical e de dança, Zuma participou das comemorações e disse aos seguidores que "o CNA é como um leão. O CNA nunca estará abaixo de 60%".

Para o líder da legenda, as campanhas da oposição "tentaram diminuir a nossa organização popular, enquanto nós nos ocupávamos de nossa própria campanha", que é a que deu a vitória ao partido.


Zuma (dir.), de 67 anos, é o favorito nas eleições da África do Sul / AP



As eleições sul-africanas desta quarta-feira, que foram as quartas desde a queda do regime segregacionista do apartheid, em 1994, confirmam a força do CNA, o movimento de libertação que levou Nelson Mandela ao poder.

Obstáculo

Se não houver imprevistos, Zuma será empossado o quarto chefe do Estado democrático em Pretória no dia 10 de maio, quando se completam 15 anos da posse de Mandela como o primeiro presidente negro da África do Sul.

No entanto, se, no final da apuração, o CNA não revalidar os dois terços de cadeiras que atualmente tem na Assembleia Nacional, Zuma não terá na Câmara a maioria suficiente para reformar a Constituição e adotar decisões extraordinárias sem alianças.

A prefeita da Cidade do Cabo, Hellen Zille, expressou satisfação com os resultados. O partido da política, o liberal Aliança Democrática (DA), que já era a segunda maior força parlamentar do país, obteve um grande crescimento, ao passar de 12,5% para cerca de 18% dos votos, segundo dados parciais.

"Esperava 15% de votos, mas isto é muito mais", disse Zille aos jornalistas, cujo partido também se transformou na legenda principal da província de Cabo Ocidental, a qual a prefeita tem grandes probabilidades de governar a partir de agora.

Outros partidos

Também surgiu com força como partido o Congresso do Povo (Cope, em inglês), grupo formado por dissidentes conservadores do CNA após a destituição, em setembro, de Thabo Mbeki da presidência da África do Sul.

O Cope conseguiu o terceiro lugar, com cerca de 8% de votos nos resultados parciais.

O candidato à presidência da legenda, Mvume Dandala, afirmou, nesta quinta, que "estamos satisfeitos e nos sentimos muito animados por um partido tão jovem ter conseguido estes resultados".

Em posição pior ficou o Partido Inkatha Liberdade (IFP), de Mangosuthu Buthelezi, uma legenda cuja força reside na população de KwaZulu-Natal e que, de terceira legenda parlamentar, com 7%, passou a ocupar o quarto lugar, com cerca de 3%.


Eleitores fizeram fila para votar na África do Sul


Dados das eleições

Além das eleições para a Assembleia Nacional de 400 membros, que designa o presidente, também houve, na quarta-feira, a votação para renovar as Câmaras legislativas das nove províncias do país, das quais o CNA conseguiu a maioria em oito, e a DA aparece em primeiro no Cabo Ocidental.

A Comissão Eleitoral Independente (CEI) ressaltou que a participação, segundo os dados preliminares, foi de cerca de 77% dos 23.181.997 eleitores inscritos, e acelerou a apuração.

Os resultados totais das eleições devem ser liberados nesta sexta, mas os oficiais terão que esperar sábado ou domingo, conforme anunciou a presidente do CEI, Brigalia Bam, que lembrou que será preciso revisar todas as impugnações dos partidos.

Tanto os partidos como a CEI elogiaram a tranquilidade que reinou nas eleições de quarta, nas quais não houve incidentes violentos, mas um dirigente local do Cope na província de Cabo Oriental foi morto a tiros à noite em um incidente ainda não esclarecido.


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