Gaspar Ruiz-Canela. Bangcoc, 11 set (EFE).- Após ser indicado para assumir novamente o cargo de primeiro-ministro da Tailândia, Samak Sundaravej mostra tranqüilidade e afirma que voltará à chefia do Governo para proteger a democracia tailandesa interrompida há dois anos com o golpe de estado contra o ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra.

Esta semana o Tribunal Constitucional destituiu Sundaravej do cargo após uma decisão judicial.

A designação para que ele voltasse ao cargo foi feita pelo partido que lidera a coalizão governamental da Tailândia.

A decisão, que dá continuidade à crise política iniciada após a cassação de Sundaravej por pedir dinheiro para apresentar um programa de culinária na TV, foi adotada em uma reunião entre os seis partidos da coalizão.

"Sundaravej aceitou a nomeação para ser primeiro-ministro, está feliz e acredita que o Parlamento o considerará apto para ocupar outra vez o cargo", disse o porta-voz do Partido de Poder do Povo (PPP), Kuthep Saikrachang, em entrevista coletiva.

A designação de Sundaravej prosperou apesar de alguns dos outros cinco partidos que fazem parte da coalizão liderada pelo PPP terem proposto nomes diferentes para reduzir a tensão política com a antigovernamental Aliança do Povo para a Democracia.

Há quase três semanas, milhares de partidários da Aliança se concentram no palácio do Governo, que desde a destituição de Sundaravej é ocupado por um primeiro-ministro interino, que, diante da agitação, foi obrigado a transferir sua sede para o velho aeroporto internacional de Bangcoc.

A manobra da coalizão caiu como um balde de água fria sobre os manifestantes acampados no palácio do Governo.

"Não importa que voltem a tentar. Não nos movimentaremos daqui até que Sundaravej e todos os seus aliados saiam do Governo", disse aos jornalistas Prapansak Kamicpetch, um manifestante.

A designação de Sundaravej como primeiro-ministro passará por votação amanhã na sessão extraordinária realizada pelo Parlamento, composto por 480 cadeiras, das quais 223 são controladas pelo PPP e 83 pelos outros cinco partidos da coalizão.

"Vocês vão ver se o Parlamento vota em mim ou não", disse Sundaravej, de 73 anos e um político tailandês que sempre faz comentários polêmicos.

Antes de a coalizão anunciar seu apoio a Sundaravej, o chefe do Exército, general Anupong Paochinda, pediu que os partidos políticos chegassem a um acordo para formar um Governo de "união nacional", e que o Governo interino suspendesse o estado de exceção declarado em Bangcoc em 2 de setembro.

"É tempo de interromper o estado de exceção", declarou o chefe do Exército, que evitou aplicá-lo e foi quem depôs o ex-primeiro-ministro Shinawatra, agora fugitivo da Justiça tailandesa exilado no Reino Unido.

Na Tailândia aconteceram 18 golpes de estado desde 1932, quando caiu a monarquia absolutista.

Desde que a justiça emitiu sua decisão, o chefe do Governo interino é Somchai Wongsawat, cunhado de Shinawatra, a quem o PPP consultou antes de designar Sundaravej para o cargo de primeiro-ministro.

"Temos de escutá-lo, já que continua sendo um cidadão tailandês", disse o porta-voz do PPP, considerado por seus detratores uma cópia do partido fundado por Shinawatra, dissolvido no ano passado pela Corte Suprema por fraude eleitoral.

Na semana passada, a Comissão Eleitoral propôs a dissolução do partido de Sundaravej, após considerá-lo culpado de cometer fraude eleitoral na eleição de dezembro passado.

Os líderes da Aliança, que começou os protestos em maio passado, chamam Sundaravej de corrupto, desleal ao rei e o acusam de ser uma marionete de Shinawatra. EFE grc/fh/fal

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