Partido governante do Zimbábue pede recontagem de votos

HARARE - O partido governante do Zimbábue pediu à Comissão Eleitoral que reconte todos os votos do pleito de 29 de março, após ter detectado erros de cálculo, revelou hoje um jornal governamental.

EFE |

A Comissão Eleitoral não divulgou informações oficiais sobre a apuração das eleições presidenciais, mas terminou a contagem dos votos do pleito parlamentar, que aconteceu simultaneamente.

Mesmo assim, o partido governante, Zanu-PF, já decidiu concorrer no segundo turno do pleito, caso que seja confirmado pela Comissão Eleitoral.

O jornal governamental "Sunday Mail" diz que os erros detectados em quatro jurisdições, nas quais estão em jogo centenas de votos, prejudicam o presidente Robert Mugabe, no poder desde 1980.

Além de pedir a recontagem dos votos "por causa das revelações de erros de cálculo na compilação dos resultados", o partido governante vai pedir o adiamento da divulgação dos resultados das eleições presidenciais.

A notícia foi publicada no mesmo dia em que a oposição comparecerá ao Tribunal Superior de Harare para pedir que a Justiça ordene à Comissão Eleitoral que divulgue urgentemente os resultados das eleições presidenciais.

A solicitação seria apresentada ontem, mas foi adiada porque a Comissão Eleitoral pediu mais tempo para preparar seus argumentos.

Os membros da Comissão Eleitoral são nomeados por Mugabe. Fontes da oposição suspeitam que o partido governante quer adiar o provável segundo turno do pleito para além dos 21 dias fixados legalmente após o primeiro turno.

A oposição anunciou na quarta-feira passada que, segundo a contagem dos dados nas atas eleitorais colocadas nos arredores dos centros de votação, recebeu votos suficientes no pleito presidencial para não ter a necessidade de disputar um segundo turno.

O opositor Movimento para Mudança Democrática (MDC) assegurou que seu candidato presidencial, Morgan Tsvangirai, obteve 50,3% dos votos, contra 43,8% de Mugabe.

O "Sunday Mail" afirmou que foi descoberto em quatro jurisdições que os dados existentes nos impressos assinados nos centros de votação não correspondiam à informação que estava nas atas que chegaram aos centros de contagem.

"Alguns funcionários eleitorais foram detidos", acrescentou o jornal.

O regime de Mugabe foi acusado pela oposição e por observadores independentes de manipular os resultados das eleições presidenciais de 2002 e das parlamentares de 2005.

O pleito de 29 de março foi o mais acirrado na história do país e, caso seja confirmado, será a primeira vez que as eleições presidenciais terão de ser decididas em segundo turno.

Por enquanto, os dados conhecidos indicam que o partido governante perdeu a maioria na Câmara Baixa, enquanto o Senado ficou dividido entre o Zanu-PF e a oposição.

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