Partido do primeiro-ministro Hun Sen governará sozinho no Camboja

Jordi Calvet Phnom Penh, 28 jul (EFE).- O ex-comunista Partido do Povo do Camboja (PPC), do primeiro-ministro Hun Sen, poderá pela primeira vez formar sozinho o Governo após a ampla vitória alcançada nas eleições legislativas realizadas no último domingo.

EFE |

Ao contrário de 1998 e 2003, o PPC não será obrigado a fazer alianças com outros partidos. Esta medida foi possível graças à emenda constitucional realizada ano passado pelo Legislativo, quando a quantidade mínima exigida para formação do Governo foi reduzida de dois terços para metade dos deputados mais um.

Segundo o resultado provisório anunciado hoje pela Comissão Eleitoral Nacional (NEC), o PPC venceu em todas as circunscrições do país com apoio de 51% a 79% dos votos.

Na capital, Phnom Penh, onde o Partido Sam Rainsy (PSR) teve mais votos em 2003, o PCC recuperou a hegemonia, embora com uma das porcentagens mais baixas (51,55%).

Apesar de a NEC ainda não ter divulgado resultados de cinco das 24 províncias, o Ministério do Interior antecipou uma estimativa na divisão dos 123 deputados do Parlamento.

O Parlamento é formado por 90 cadeiras do PPC, 26 do PSR, três do Partido pelos Direitos Humanos, duas do Partido Norodom Ranaridh e outras duas da Frente de União Nacional para um Camboja Independente, Neutro, Pacífico e Cooperativo (Funcinpec).

Os partidos opositores, liderados pelo PSR, formaram uma aliança que rejeita a eleição e pede a realização de uma outra.

"Decidimos unir forças para exigir a repetição das eleições no Camboja", disse Rainsy em Phnom Penh, onde seu partido é muito forte e um dos locais nos quais o PPC perdeu nas eleições municipais do ano passado.

O líder do Partido pelos Direitos Humanos, Kem Sokha, pediu "à comunidade internacional que não reconheça o resultado, pois aconteceram várias irregularidades".

A eleição transcorreu sem incidentes relevantes e só foi alterada nas províncias de Koh Kong e de Sihanukville - mesmo assim sem grandes conseqüências - em virtude de uma forte tempestade, de acordo com a NEC.

O PPC conseguirá, se confirmada a antecipação do Ministério do Interior, seu melhor resultado após ter investido os últimos anos na tentativa de desgastar a oposição com artimanhas legais e incentivar a deserção entre os adversários oferecendo cargos no Governo.

O partido de Hun Sen também soube se aproveitar do conflito fronteiriço que o Camboja mantém com a Tailândia sobre a propriedade do templo Khmer de Preah Vihear, acumulando a seu favor o fervor patriótico gerado durante as últimas semanas.

Na província de Preah Vihear, o PPC conseguiu 67,50% dos votos, muito acima dos 14,99% do PSR, o segundo mais votado.

A vitória do PPC foi fundamentada na queda do setor monárquico, representado pelo Funcinpec e pelo PNR.

Após ganhar as eleições de 1993, que restabeleceram a democracia, e de participar dos Governos que se formaram desde então, o Funcinpec foi reduzido a um papel quase marginal com dois deputados, 24 a menos que na legislatura passada.

Isto coloca o PSR, liderado pelo ex-ministro das Finanças Sam Rainsy, como o principal partido da oposição, com dois deputados a mais que em 2003.

Apesar de perder posições em Phnom Penh, onde sempre teve muitos votos, o PSR foi beneficiado com uma maior implantação no restante das províncias, onde conseguiu em todos os casos o segundo lugar com apoio sempre superior a 10%.

As eleições ratificaram a irrupção de uma nova força opositora, o PDH, liderada pelo ativista pro direitos humanos, Kem Sokha, que ficou em terceiro lugar.

Os outros 11 partidos que concorreram nas eleições não tiveram representação, segundo informações da CEN.

O índice de participação ficou acima de 75%, superior ao 67% registrado nas eleições municipais do ano passado.

Apesar de o PSR ter denunciado que milhares de eleitores em Phnom Penh não puderam votar por terem seus nomes apagados do registro, a participação na capital foi de 66%, também superior a de 2007.

Após a jornada eleitoral, a CEN recebeu 30 reivindicações por supostas irregularidades cometidas durante o evento.

O presidente da CEN, Im Suosdey, classificou de boa a quantidade, constatando que "a média é quase de uma só reivindicação por província".

A jornada eleitoral recebeu o primeiro aval internacional na Embaixada da Rússia que, através de um comunicado, disse que foi "correto" a realização das votações. EFE jcp/fh/fal

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