Roma, 19 dez (EFE).- O principal partido da oposição italiana, o Partido Democrata (PD), sacudido por vários casos de corrupção, chamou o escritor Roberto Saviano, símbolo da luta contra a máfia, para que dê aulas a seus dirigentes do sul do país, onde a criminalidade organizada tem suas bases.

Assim anunciou hoje o líder do PD, Valter Veltroni, ao explicar algumas das medidas que a legenda política adotará para garantir a "honestidade" de seus membros, após as últimas acusações de corrupção a alguns de seus representantes.

Veltroni anunciou que seu partido tem a intenção de criar uma escola que se ocupará da formação das novas gerações de políticos para o sul do país e que se centrará na "legalidade" e Saviano, autor do bem-sucedido livro de denúncia "Gomorra", aceitou ser um dos docentes.

Após a publicação de seu livro, que revela como funciona a Camorra, a máfia de Nápoles, Saviano, de 29 anos, vive sob escolta devido às ameaças de morte por parte dos camorristas.

"No PD não há espaço para os desonestos", afirmou hoje o secretário da legenda de centro-esquerda ao se referir às últimas acusações e detenções de alguns membros de seu partido sob a acusação de receber comissões ilegais.

Veltroni, que organizou hoje uma reunião da direção nacional de seu partido após os últimos casos, pediu ter "poderes especiais" para poder intervir pessoalmente na gestão do PD em nível local quando acontecem problemas.

Além disso, assegurou que a imagem que se está dando do PD nos meios de comunicação locais é "deformada" e injusta, pois os "administradores do partido são pessoas honestas e a maioria se concede ao cidadão inclusive de maneira voluntária".

No entanto, o líder progressista admitiu que no PD "se criou uma relação entre o público e os interesses privados que não têm que não podem fazer parte de nossa ideologia". EFE ccg/ma

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