Partido de Suu Kyi pede para população rejeitar Constituição de Junta Militar

Bangcoc, 2 abr (EFE).- A Liga Nacional pela Democracia, liderada pela principal opositora birmanesa, Aung San Suu Kyi, pediu hoje à população para votar contra a aprovação do projeto constitucional que a Junta Militar submeterá a plebiscito em maio.

EFE |

O partido da prêmio Nobel da Paz de 1991, único da oposição a resistir à intensa pressão do regime militar, solicitou em um comunicado dirigido aos birmaneses para a população ir "sem falta" e votar "no não".

Após mais de dez anos de preparação a Junta Militar anunciou em fevereiro a realização de uma consulta para aprovar o texto constitucional, que qualifica de alicerce sobre o qual se baseia o sistema "democrático vigiado" que criou.

O porta-voz da Liga Nacional pela Democracia, Nyan Win, disse esta semana em Yangun que o projeto constitucional é inaceitável, já que estabelece que "o poder emana do comandante-em-chefe, ao invés do povo, como determinam os princípios democráticos básicos".

Nyan Win também destacou que, uma vez aprovada a nova Constituição, será difícil a introdução de emendas pelo futuro Parlamento e que o texto permite aos militares assumir o poder quando considerarem apropriado.

A Liga Nacional pela Democracia, assim como vários grupos étnicos, boicotaram a redação da minuta constitucional, por considerarem que a nova Carta Magna garantia a permanência dos militares na política.

Até o momento os grupos dissidentes no exílio, os influentes monges e cerca de cinco grupos étnicos rejeitaram o novo texto por considerarem que é uma estratégia do regime militar para se perpetuar no poder.

O pedido pelo "não" foi assinado pelo Conselho Nacional da União de Mianmar (NCUB, em inglês), pelo Governo de Coalizão Nacional da União de Mianmar (NCGUB), pelo Conselho de Nacionalidades Étnicas (ENC), pela Liga da Mulher de Mianmar (WLB), pela Federação da Democracia de Mianmar (DFB), pelo Congresso de Estudantes e Jovens de Mianmar (SYCB) e pelo Fórum de Jovens e Nacionalidades (NY Forum).

As autoridades não divulgaram a data do plebiscito, que será anunciada 21 dias antes da realização.

Os generais também aprovaram em março uma lei que condena para até três anos de prisão quem distribuir folhetos ou mostrar cartazes sobre a consulta popular e criou equipes de voluntários para incentivar a população a votar a favor do texto constitucional.

O plano dos generais do regime inclui a realização de eleições livres em 2010.

Segundo a minuta constitucional, Suu Kyi não poderá apresentar candidatura nestas eleições por ela ter sido casada com um estrangeiro.

Suu Kyi, viúva do professor britânico Michael Aris, com quem teve dois filhos, está em prisão domiciliar desde junho de 2003.

Mianmar (antiga Birmânia) é governada pelos militares desde 1962 e não realiza eleições desde 1990, quando o partido oficial foi derrotado pela legenda de Suu Kyi em um pleito que nunca foi reconhecido oficialmente pelos generais. EFE tai/wr/fal

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