Partido de Sonia Gandhi se impõe nas eleições indianas

Agus Morales. Nova Délhi, 16 mai (EFE).- O Partido do Congresso, presidido por Sonia Gandhi, conseguiu uma folgada vitória nas eleições parlamentares indianas, segundo os dados provisórios divulgados hoje e que concedem à legenda um resultado muito superior a todas as previsões.

EFE |

Segundo os dados divulgados pela Comissão Eleitoral por volta das 15h (6h30 de Brasília) em seu site, o Partido do Congresso liderava a apuração em 204 das 543 circunscrições, frente a 116 do opositor Bharatiya Janata Party (BJP).

Os resultados ainda são muito preliminares, pois a Comissão só confirmou a vitória do Partido do Congresso em 14 e do BJP em 12 circunscrições, mas suficientes para que o partido opositor tenha admitido sua derrota.

Esses dados representam um segundo mandato à frente do Governo para o candidato do Partido do Congresso, Manmohan Singh, mas com uma maioria muito mais confortável que as 145 cadeiras que tinha no Parlamento em fim de mandato.

Sonia Gandhi agradeceu hoje a "confiança depositada de novo" em seu partido pelo eleitorado indiano, em um primeiro comparecimento à imprensa, junto com o candidato a primeiro-ministro, Manmohan Singh.

"O povo da Índia sempre faz a escolha apropriada", disse Sonia Gandhi, que falou à imprensa em frente a sua residência em Délhi, depois de Singh, segundo imagens retransmitidas ao vivo pelas redes de televisão indianas.

Singh mostrou também seu agradecimento e prometeu que formará um Governo "forte e estável", e convidou todos os partidos "seculares" da Índia a apoiar o novo Executivo.

"Este é um voto em Sonia Gandhi e na liderança de Manmohan Singh.

O povo votou por um Governo estável, quer um primeiro-ministro que pense no país", disse o porta-voz da legenda ganhadora e ministro da Ciência indiano, Kapil Sibal, segundo a agência "Ians".

Um dos aliados da força governante, o líder do Partido Nacionalista do Congresso, Sharad Pawar, comemorou o "excelente veredicto" das urnas, que dão, por enquanto, nove cadeiras a sua formação, e disse que agora será formado "um Governo estável".

O BJP, que buscava deslocar do poder o partido da dinastia Nehru-Gandhi, mostrou sua resignação e disse estar "decepcionado" com o resultado eleitoral, que representa também uma melhor posição à legenda no Parlamento, onde contava com 138 assentos.

"Reconhecemos a derrota", disse a ex-ministra e líder do BJP, Sushma Swara, citada pela "Ians".

Menos contundente, mas muito autocrítico, se mostrou Arun Jaitley, porta-voz do BJP, que disse que o partido "respeita o mandato do povo".

"Quando você perde uma eleição, gera-se um grande debate no partido" derrotado, assumiu Jaitley, em entrevista coletiva na sede do BJP, retransmitida ao vivo pelo canal "NDTV".

O Partido do Congresso ampliou também seu banco de votos em detrimento da Terceira Frente, um bloco formado pelos comunistas e por partidos regionais que tinha se apresentado como alternativa às duas grandes forças do país asiático.

Os comunistas sofreram um baque em seus dois redutos tradicionais, Bengala e Kerala, e obtiveram apenas 19 cadeiras - um terço das que tinham -, segundo os dados provisórios do organismo eleitoral.

O secretário-geral do Partido Comunista da Índia-Marxista, Prakash Karat, disse ter sofrido um "grande golpe" e admitiu a necessidade de "um sério exame dos motivos" do fracasso eleitoral, segundo a agência "PTI".

A líder "dalit" Mayawati, que tinha levantado grandes expectativas como cabeça visível da Terceira Frente, não conseguiu bons resultados fora de seu reduto, Uttar, e fica, por enquanto, com 21 cadeiras (frente às 19 anteriores).

O Partido do Congresso não conseguiu a maioria absoluta (de 272 deputados), mas é possível que some esse total junto com seus tradicionais aliados da Aliança Progressista Unida e outros.

Os 714 milhões de indianos que foram chamados às urnas entre 16 de abril e 13 de maio votaram para decidir as 543 cadeiras em jogo da Câmara Baixa. EFE amp-ja/an

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