Partido de oposição da Mauritânia quer participar do próximo Governo

Nuakchott, 19 ago (EFE). - O presidente do partido Reagrupamento das Forças Democráticas (RFD), Ahmed Ould Daddah, anunciou hoje sua disposição de participar do próximo Governo da Mauritânia.

EFE |

"Nossa participação não tem por objetivo obter postos governamentais, e sim melhorar a situação econômica dos cidadãos", explicou Ould Daddah, um dos líderes da oposição democrática sob o regime do presidente deposto, Sidi Mohammed Ould Cheikh Abdallahi.

Ould Daddah negou qualquer ligação com os militares no golpe de Estado de 6 de agosto, ao afirmar que soube do levante enquanto se encontrava de viagem no exterior, mas qualificou essa mudança de "necessária perante a deterioração da situação política e econômica do país".

Ele considerou que o golpe foi provocado "por um bloqueio constitucional que obstaculizava o funcionamento regular da instituição parlamentar", algo de cujas "conseqüências previsíveis" o partido lembrou ter advertido em diversas ocasiões.

O presidente do RFD ressaltou também ter feito "um apelo aos amigos e aliados da Mauritânia para apoiar e acompanhar o país nestas circunstâncias".

Além disso, disse ter constatado que, "infelizmente, depois de mais de dez dias, por razões teóricas ou por ignorância da realidade mauritana, não deixaram de acontecer as tomadas de posição negativas" por parte da maioria desses aliados.

Ould Daddah lamentou ainda que "os mauritanos observem com grande preocupação esta situação e suas conseqüências, em particular, a ameaça de isolamento do país e a deterioração das condições econômicas e sociais".

Ele destacou, por isso, que "neste momento crucial, a RFD reafirma sua disponibilidade de assumir todas as responsabilidades e de recorrer a todos os meios, à sua longa experiência de luta política e sua ampla rede de relações internacionais, em favor da saída a esta crise".

O político, cujo partido destacou "seu compromisso para a volta a uma vida constitucional normal o mais rápido possível", foi o principal rival de Abdallahi nas eleições presidenciais de 2007, e também o opositor mais destacado contra o presidente deposto pelo golpe de Estado de 2005, Maaouya Ould Sid'Ahmed Taya.

Para a formação do Governo provisório após o golpe do início do mês, o presidente da Junta Militar mauritana, o general Mohammed Ould Abdelaziz, nomeou na semana passada como novo primeiro-ministro Moulaye Ould Mohammed Laghdaf, filiado ao RFD e até esse momento embaixador mauritano perante a Bélgica e a União Européia (UE).

Também hoje, os integrantes da Frente Nacional de Defesa da Democracia, contrária ao golpe de Estado, anunciaram que não participarão da sessão extraordinária do Parlamento convocada na segunda-feira para amanhã por Abdelaziz.

A afirmação foi feita à Agência Efe por El Khalil Ould Tiyeb, vice-presidente da Aliança Popular Progressista (APP), um dos seis grupos dessa Frente que reúne 14 deputados do total de 95 da Assembléia Nacional.

Fazem parte do grupo a União das Forças do Progresso (UFP), o Pacto Nacional pela Democracia e o Desenvolvimento (PNDD-ADIL) e o islâmico Tawassoul. EFE mo/db

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