O partido do presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, perdeu nesta quarta-feira sua maioria no Parlamento depois das eleições gerais de sábado e, sem esperar o anúncio dos resultados oficiais, a oposição reivindicou a vitória na eleição presidencial.

A União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF, no poder) não pode mais alcançar a maioria absoluta: a oposição obteve 105 das 210 cadeiras de deputados, e um candidato independente foi reeleito, segundo os resultados oficiais de 199 circunscrições.

"Temos uma maioria clara. Estamos assistindo a um início de transferência do poder. É uma vitória para o povo", entusiasmou-se o porta-voz do Movimento para a Mudança Democrática (MDC), Nelson Chamisa.

Oposição proclama vitória

Ainda sem resultados oficiais sobre a eleição presidencial, a oposição proclamou vitória do seu candidato, Morgan Tsvangirai, sobre o presidente Robert Mugabe, no poder há 28 anos, desde a independência do país. Baseados em atas eleitorais assinadas após a apuração de cada centro de votação, os oposicionistas alegam ter 50,3% dos votos.

"Segundo nossos próprios cálculos, podemos dizer que o presidente Tsvangirai ganhou a eleição", declarou à imprensa Tendai Biti, secretário-geral do MDC.

Jornal oficial fala em 2º turno

Em um momento em que os colaboradores de Tsvangirai e de Mugabe estão travando duras negociações, o jornal estatal The Herald destacou que "nenhum dos candidatos vai obter mais de 50% dos votos", abrindo assim o caminho para um segundo turno .

Um segundo turno deve ser organizado até 21 dias depois do primeiro se nenhum candidato obtiver a maioria absoluta, segundo a Constituição, que também concede um prazo máximo de seis dias para a publicação de resultados completos.

"Os meios de comunicação estatais já começaram a preparar a população para um segundo turno", comentou Tibi. "O MDC está pronto para participar (de um segundo turno)", garantiu.

De acordo com uma fonte diplomática européia em Harare, Mugabe quer "evitar a humilhação de um segundo turno", que teria poucas chances de vencer.

Outra fonte diplomática ocidental qualificou de "muito perigosa" a tática do MDC, pois "se Mugabe aceita um segundo turno, será para vencer de qualquer jeito", inclusive recorrendo a fraudes em grande escala.

A Zanu-PF não comentou a perda de sua maioria na Assembléia Nacional. O ministro da Informação, Ndlovu Sikhoanyiso, se limitou a dizer à AFP que a oposição deveria ter deixado a comissão eleitoral "terminar seu trabalho". A comissão ainda não havia publicado os resultados definitivos das legislativas na tarde desta quarta-feira.

Segundo diversas fontes diplomáticas, outros países da África Austral estão tentando convencer Mugabe a se retirar com dignidade.

De acordo com fontes do governo sul-africano, o presidente americano George W. Bush e o primeiro-ministro britânico Gordon Brown telefonaram terça-feira ao presidente da África do Sul, Thabo Mbeki, para lhe pedir que facilite um diálogo entre poder e oposição.

Os ocidentais pressionam o governo zimbabuano para que publique os resultados o mais rápido possível. Washington e a União Européia chegaram a afirmar publicamente que a oposição havia vencido.

O presidente Mugabe, que não aparece em público desde sábado, se mantém em silêncio, e o governo negou a existência de um diálogo entre os dois partidos.

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