Partido de Mugabe pede recontagem de votos

O partido Zanu-PF, do presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, pediu o adiamento da divulgação dos resultados das eleições presidenciais no país e uma recontagem dos votos. De acordo com a imprensa estatal, o partido pediu uma recontagem alegando erros de cálculo.

BBC Brasil |

O partido de oposição Mudança Democrática (MDC, na sigla em inglês) condenou o pedido, dizendo que ele é ilegal.

O MDC também negou ter proposto um governo de unidade, após um ministro ter dito que o Zanu-PF rejeitou um pedido da oposição por uma coalizão.

No sábado, o principal líder da oposição no Zimbábue, Morgan Tsvangirai, acusou Robert Mugabe de estar "preparando uma guerra contra o povo".

"No segundo turno, a violência vai ser apenas a nova arma para reverter a vitória do povo. Em relação a isto, nós sabemos que milhares de militares estão sendo recrutados, militantes estão sendo reabilitados e alguns que se dizem veteranos de guerra já estão no caminho da guerra", afirmou Tsvangirai.

Em uma matéria publicada em seu site, o jornal estatal Sunday Mail disse que o Zanu-PF pediu à Comissão Eleitoral do Zimbábue que revise a contagem dos votos.

A carta afirma que foram detectadas anomalias em vários distritos eleitorais.

"Por causa das anomalias, o partido também pediu que a comissão adie o anúncio do resultado da eleição presidencial."
O secretário-geral do MDC, Tendai Biti, disse que o partido governista não tinha o direito de pedir uma recontagem.

"O decreto (eleitoral) diz que você pode pedir uma recontagem durante 48 horas após o início da contagem", disse Biti.

"A contagem ocorre nos postos de votação, então é em 48 horas a partir deste momento."
De acordo com documentos enviados à comissão eleitoral pelo Zanu-PF, o número de votos para Mugabe registrados em vários postos eleitorais foi reduzido antes de ser enviado às autoridades eleitorais.

"Como vai ficar claro em breve, as autoridades dos distritos eleitorais cometeram erros de cálculo tão evidentes para prejudicar não apenas nosso candidato como também seus concorrentes", afirmou a carta do Zanu-PF, segundo o Sunday Mail.

"Não pode haver dúvidas de que todos os resultados da eleição presidencial nos quatro distritos eleitorais de Mberengwa são grosseiramente irregulares e não podem ser mantidos em um exame mais detalhado."
Em uma outra matéria, o Sunday Mail cita o ministro da Justiça Patrick Chinamasa dizendo que o Zanu-PF rejeitou uma proposta de Tsvangirai para a formação de um governo de unidade nacional, mas Biti negou que a oferta tenha sido feita.

A queixa do Zanu-PF veio horas após a comissão eleitoral ter declarado o resultado final das eleições da semana passada para o Senado. A comissão disse que o partido de Mugabe obteve 30 assentos, o mesmo número conquistado pelos partidos de oposição combinados.

No parlamento, os partidos de oposição obtiveram 109 assentos, enquanto que o Zanu-PF conseguiu apenas 97. Esta foi a primeira vez que o partido fracassou em obter a maioria desde a independência do Zimbábue da Grã-Bretanha, em 1980.

Neste sábado, a Suprema Côrte adiou para este domingo uma audiência de um pedido do partido de oposição MDC para a publicação dos resultados das eleições presidenciais.

No sábado, Tsvangirai reivindicou a vitória das eleições pela primeira vez desde o pleito, dizendo que números divulgados fora dos postos eleitorais confirmavam que ele alcançou a quantidade necessária de mais de 50% dos votos para vencer no primeiro turno.

De acordo com o MDC, na sigla em inglês, Tsvangirai obteve 50,3% dos votos.

Já uma projeção independente dá 49% dos votos a Tsvangirai e 42% a Mugabe.

Correspondentes afirmam que existem temores de que um segundo turno das eleições presidenciais - que poderia ocorrer daqui a três semanas - possa levar a uma ressurreição da violência e da intimidação típicas de eleições passadas no Zimbábue.

Mugabe, de 84 anos, assumiu o poder há 28 anos, quando o país vivia uma onda de otimismo graças à conquista de sua independência do Reino Unido.

Porém, nos últimos anos o país foi castigado com as maiores taxas de inflação do mundo, além da escassez de comida e combustível, o que, segundo correspondentes, fez com que muitas pessoas passassem para o lado da oposição.

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