Partido de Morales quer acabar com crise antes da convocação de referendos

La Paz, 12 abr (EFE).-O Movimento ao Socialismo (MAS), partido do presidente da Bolívia, Evo Morales, admitiu hoje que quer pôr fim à crise política que atinge o país há meses, antes da convocação de referendos para validar o projeto constitucional impulsionado pelo Governo.

EFE |

"Não podemos ir de maneira unilateral para esses referendos", disse à agência Efe o líder dos deputados do governamental MAS, César Navarro.

Por isso, explicou que a elaboração das novas leis de convocação para essas consultas está "paralisada" no Congresso, esperando pela concretização de um "acordo político" entre Morales e seus opositores, liderados pelos governadores de várias províncias.

A Bolívia vive uma crise política na qual concorrem dois processos paralelos que, por enquanto, parecem irreconciliáveis: a reformulação constitucional proposta por Morales e o projeto autonomista de várias regiões opositoras lideradas por Santa Cruz, a mais rica e povoada do país.

Em 28 de fevereiro, centenas de seguidores de Morales cercaram o Congresso e bloquearam o acesso de vários legisladores conservadores ao edifício, permitindo que os governistas aprovassem duas polêmicas leis que fixavam 4 de maio como a data para a realização dos dois referendos constitucionais.

No início de março, a Corte Nacional Eleitoral (CNE) suspendeu a organização dessas consultas, com o argumento de que não havia condições necessárias para a realização nessa data.

Por essa razão, a CNE reivindicou ao Legislativo uma nova lei de convocação "inquestionável" que fixe um prazo mínimo de 90 dias para que os referendos ocorram.

A CNE também declarou ilegal a consulta sobre o estatuto autônomo de Santa Cruz, que, mesmo assim, será realizada por autoridades e líderes cívicos no dia 4 de maio.

Segundo Navarro, os governadores dos departamentos de Santa Cruz, Tarija, Beni e Pando - os três últimos com referendos autonomistas programados para junho - "serão obrigados, o mais rápido o possível, a se sentar para negociar (com o Governo)".

"Se querem que a autonomia seja legal, necessitam que a nova Constituição entre em vigor", lembrou Navarro.

Apesar de o Governo declarar que não vai frear a consulta em Santa Cruz, tachada de "ilegal", Morales indicou na sexta-feira que em 4 de maio haverá manifestações simultâneas em várias cidades do país em rejeição ao referendo autonomista.

Além disso, está prevista para hoje a reunião de vários movimentos sociais leais a Morales em Santa Cruz para definir medidas para frear a consulta.

A crise boliviana despertou a preocupação da Igreja Católica, cujas tentativas para reunir as partes em conflito não surtiram, até agora, nenhum efeito.

A União Européia, a Comunidade Andina (CAN), a Organização dos Estados Americanos (OEA) e os Governos de Brasil, Argentina e Colômbia também se pronunciaram sobre a necessidade de abrir, o mais rápido possível, uma mesa para diálogo. EFE mb/bf/gs

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