Partido de ex-premiê deixa governo de coalizão no Paquistão

Um dos principais partidos da coalizão que governa o Paquistão, a Liga Muçulmana do Paquistão (PML-N), anunciou nesta segunda-feira que vai se retirar do governo, apenas três meses depois das eleições gerais realizadas em fevereiro. Nossos ministros vão se reunir com o primeiro-ministro amanhã (terça-feira) e apresentar suas renúncias, disse o líder do PML-N, o ex-primeiro-ministro paquistanês Nawaz Sharif, em entrevista a jornalistas em Islamabad.

BBC Brasil |

Segundo Sharif, a decisão do partido de se retirar do governo se deve a diferenças em relação à reintegração de juízes demitidos pelo presidente Pervez Musharraf.

Esses cerca de 60 juízes formavam um foco de oposição ao governo do presidente e foram demitidos em novembro do ano passado, depois que Musharraf decretou estado de emergência no Paquistão.

A reintegração dos juízes era uma das principais promessas de campanha de Sharif e sua condição para participar da coalizão com o Partido Popular do Paquistão (PPP), o maior partido de oposição do país.

Sharif quer que os juízes ganhem todos os seus poderes de volta. O PPP, no entanto, defende que eles tenham poderes limitados.

A coalizão havia definido esta segunda-feira como prazo máximo para a reintegração dos juízes, mas não houve acordo entre os dois partidos.

Comunidade Britânica
O PPP e o PML-N, que são os dois principais partidos de oposição do Paquistão, fecharam um acordo para formar um governo de coalizão no país após as eleições de fevereiro, quando os dois conquistaram maioria parlamentar.

O PPP é liderado por Asif Ali Zardari, viúvo da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, assassinada em dezembro do ano passado.

Apesar do anúncio desta segunda-feira, Sharif afirmou que vai continuar a apoiar o governo do PPP.

"Não vamos nos tornar parte de qualquer tipo de conspiração para desestabilizar o processo democrático", disse Sharif.

Em um comunicado, o PPP disse que a decisão do PML-N representa "uma pausa no processo e não uma ruptura no propósito de restauração dos juízes".

O PPP afirmou que os cargos dos ministros que vão renunciar não serão preenchidos e disse esperar que a situação seja resolvida de maneira "amigável".

O anúncio de Sharif ocorre no mesmo dia em que a Comunidade Britânica decidiu readmitir o Paquistão como membro.

O país havia sido suspenso em novembro do ano passado, depois que o presidente Musharraf se recusou a suspender o estado de emergência e renunciar ao cargo de chefe das Forças Armadas no prazo estabelecido pela Comunidade Britânica.

Nesta segunda-feira, o grupo anunciou que o Paquistão será readmitido porque a democracia foi restaurada no país.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG