Partido de Chávez se diz vencedor no referendo na Venezuela

O sim no referendo para a reeleição na Venezuela registra uma vantagem irreversível, segundo pesquisas de boca-de-urna citadas pelo ministro das Finanças e presidente do Partido Socialista Unido de Venezuela (PSUV, no poder), Alí Rodríguez, ao final da votação neste domingo.

AFP |

"Hoje certamente é um dia de celebração", afirmou Rodríguez em coletiva de imprensa do PSUV.

"Pelo que dizem todas as pesquisas de boca-de-urna, a tendência é irreversível e a resposta que o povo deu é irreversível", afirmou Rodríguez, que pediu que a oposição não dê início a atos de violência e reconheça os resultados.

Por sua parte, representantes da oposição exigiram das autoridades eleitorais que façam respeitar a proibição sobre a divulgação de resultados.

"Esperamos que o resultado final seja dado pelo CNE (Conselho Nacional Eleitoral)", pediu o representante do partido opositor Primero Justicia, Juan Carlos Caldera.

"Fazemos um pedido ao CNE que não permita mensagens como a que acabamos de ouvir, onde Alí Rodríguez afirma que há uma tendência irreversível e já começam a comemorar", acrescentou.

Passadas as 18h00 local (22h30 GMT), a presidente do CNE, Tibisay Lucena, declarou o fechamento das mesas eleitorais e pediu aos representantes dos dois blocos que não antecipem resultados.

"Dizemos aos blocos do 'Sim' e do 'Não' que não há nem vitoriosos nem derrotados neste momento", enfatizou.

"Pedimos que mantenham a tranquilidade e a calma porque até o momento não há resultados eleitorais. Até agora o único vitorioso é a Venezuela", acrescentou.

No entanto, a tv estatal mostrou cenas de comemoração de partidários do "Sim", enquanto que a oposição pediu a seus militantes que se mantenham nas seções eleitorais para supervisionar a apuração dos votos.

Os venezuelanos comparecem às urnas neste domingo para o quinto referendo nos últimos 10 anos, desta vez sobre uma emenda constitucional que abriria o caminho para o presidente Hugo Chávez tentar um terceiro mandato depois de 2012, sem limites à reeleição, e que a oposição considera um ataque à alternância democrática.

Caso a modificação de cinco artigos da Constituição de 1999 seja aprovada, eliminará os limites de mandatos existentes para o presidente e todos os cargos majoritários.

Atualmente, a Carta Magna limita a no máximo dois mandatos presidenciais consecutivos, o que significa que Chávez deve abandonar o poder ao fim de 2012.

"O que está em jogo hoje, 15 de fevereiro, pode ser sintetizado em um dilema que deve ser resolvido pelo povo: seguir avançado para o exercício pleno da soberania popular ou a pretensão contrarrevolucionária de impor freios (...) É de Hamlet de Shakespeare: ser (o Sim) ou não ser (o Não)", escreveu Chávez em um artigo publicado na imprensa local.

"Venho com minhas filhas e netos, muito consciente ante o povo venezuelano de que hoje, nas mesas eleitorais, está se decidindo meu destino político. Para mim, como ser humano e soldado desta luta, é importante", disse Chávez depois de votar no bairro de 23 de janeiro de Caracas.

"Peço a Deus que o processo termine bem e se imponha a vontade do povo venezuelano. Que ninguém se ponha a inventar", alertou.

"Reconheceremos o resultado, seja qual for, uma vez anunciado pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE)", reiterou.

Os defensores de Chávez consideram a emenda vital para consolidar a "revolução bolivariana" e o que chamam de "socialismo do século XXI".

Os opositores afirmam que a emenda que atenta contra o princípio da alternância, consagrado na Constituição, e lembram que a reeleição sem limites já foi rejeitada em um referendo em 2007.

Depois da derrota há dois anos, o Partido Socialista Unido (PSUV) de Chávez elaborou uma campanha para buscar os eleitores em casa e tentar garantir a vitória.

As pesquisas mais recentes apontaram uma leve vantagem ao "Sim", mas os institutos não se atrevem a fazer projeções por causa do alto número de indecisos.

Segundo o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), mais de 16 milhões de venezuelanos estavam registrados para votar. O organismo pode divulgar os primeiros resultados entre duas e três horas após o fim da votação, mas informou que não fará nenhum anúncio até que exista uma tendência irreversível.

rsr/fp/cn

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