Partido de Chávez se diz vencedor do referendo na Venezuela

CARACAS - O sim no referendo para a reeleição na Venezuela registra uma vantagem irreversível, segundo pesquisas de boca-de-urna citadas pelo ministro das Finanças e diretor do Partido Socialista Unido de Venezuela (PSUV, no poder), Alí Rodríguez. A jornada eleitoral terminou formalmente neste domingo às 18h11 (19h41 de Brasília).

Redação com agências |

"Hoje certamente é um dia de celebração", afirmou Rodríguez em coletiva de imprensa do PSUV, mesmo antes do fechamento das mesas de votação. "Pelo que dizem todas as pesquisas de boca-de-urna, a tendência é irreversível e a resposta que o povo deu é irreversível", afirmou Rodríguez, que pediu que a oposição não dê início a atos de violência e reconheça os resultados.

Por sua parte, representantes da oposição exigiram das autoridades eleitorais que façam respeitar a proibição sobre a divulgação de resultados.

"Esperamos que o resultado final seja dado pelo CNE (Conselho Nacional Eleitoral)", pediu o representante do partido opositor Primero Justicia, Juan Carlos Caldera.

"Fazemos um pedido ao CNE que não permita mensagens como a que acabamos de ouvir, onde Alí Rodríguez afirma que há uma tendência irreversível e já começam a comemorar", acrescentou.

A presidente do CNE, Tibisay Lucena, declarou o fechamento das mesas eleitorais e pediu aos representantes dos dois blocos que não antecipem resultados. "Dizemos aos blocos do 'Sim' e do 'Não' que não há nem vitoriosos nem derrotados neste momento", enfatizou.

"Pedimos que mantenham a tranquilidade e a calma porque até o momento não há resultados eleitorais. Até agora o único vitorioso é a Venezuela", acrescentou.

No entanto, a TV estatal mostrou cenas de comemoração de partidários do "Sim", enquanto que a oposição pediu a seus militantes que se mantenham nas seções eleitorais para supervisionar a apuração dos votos.

As pesquisas mais recentes apontaram uma leve vantagem ao "Sim", mas os institutos não se atrevem a fazer projeções por causa do alto número de indecisos.

Segundo o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), mais de 16 milhões de venezuelanos estavam registrados para votar. O organismo pode divulgar os primeiros resultados entre duas e três horas após o fim da votação, mas informou que não fará nenhum anúncio até que exista uma tendência irreversível.

O ministro de Comunicação e Informação da Venezuela, Jesse Chacón, disse que o comparecimento às urnas chegou a 70% dos eleitores. Em entrevista à emissora estatal de televisão, Chacón demonstrou satisfação com o número, dizendo que "os venezuelanos devem sentir orgulho, porque estão desfrutando de uma democracia participativa na qual são protagonistas".

Dia de votação

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, afirmou que a participação popular no referendo foi "bastante boa" e em um clima de tranquilidade. O presidente venezuelano, que promove a emenda constitucional submetida à consulta popular para poder concorrer a um novo mandato, estimulou os cidadãos a votar, e afirmou que o processo é muito rápido.

Chávez reiterou a necessidade de respeitar o resultado do referendo, "seja qual for", em um breve discurso antes de responder a perguntas dos jornalistas.

"Até 2030"

Se o "sim" vencer, Chávez poderá trabalhar oficialmente com a possibilidade de permanecer no poder "até 2030", como já declarou - embora ainda tenha de se submeter ao voto popular em 2012. Já para a oposição, só restará uma alternativa: tentar governar melhor Estados e prefeituras e encontrar um líder capaz de desafiar o presidente nas urnas.

Chávez foi eleito pela primeira vez em 1998, iniciando seu governo no ano seguinte. Foi reeleito duas vezes e, pelas regras em vigor, seu mandato atual vai até 2012, sem possibilidade de reeleição.

Mas a modificação de cinco artigos do ordenamento jurídico do país o permitirá voltar a se candidatar quantas vezes quiser, assim como os governadores, prefeitos, vereadores e deputados da Venezuela.

O governo rejeita o termo "reeleição indefinida" e ressalta que a emenda abre apenas a possibilidade de o povo manter os bons governantes no poder, se assim desejar.


Chávez fez campanha popular na Venezuela / AP

Dez anos no poder

Em uma década no poder, Chávez conseguiu - segundo dados do governo - reduzir o índice de pobreza pela metade, baixando-o para 26%. A oposição diz que isso se deveu muito mais ao crescimento da economia, puxado pela alta do petróleo, do que às políticas de governo. Chávez calcou sua popularidade em programas de saúde e educação voltados para a população de baixa renda - e também criticados pela oposição, que os acusa de terem má qualidade e fazerem proselitismo político.

A Venezuela é o maior exportador de petróleo da América Latina e o quarto maior fornecedor dos EUA. A receita do petróleo ajudou a bancar os projetos sociais até agora e, apesar da forte queda da cotação do barril, o governo promete manter os gastos sociais. Chávez, de 54 anos, diz querer continuar na presidência para consolidar sua revolução socialista.

Mas depois de dez anos no poder, até eleitores típicos de Chávez começam a perder sua confiança no presidente. A inflação na casa dos 30% e explosão da criminalidade no país são dois dos fatores que pesam contra o líder.


Chávez completou 10 anos no poder em fevereiro / Reuters

Referendo fracassado

Em 2007, Chávez já havia tentado alterar as regras eleitorais para permitir a reeleição indefinida. A proposta fazia parte de um novo projeto de Constituição, rejeitado por uma estreita margem em outro referendo. Para analistas, o texto foi rejeitado mais por estabelecer que a Venezuela passaria a ser um país socialista e não tanto por permitir a reeleição indefinida.

Esta pode ser a última chance de Chávez mudar a regra eleitoral. Na eleição de dezembro, ele deve perder a maioria absoluta na Assembleia Nacional, o que dificultará mudanças constitucionais.

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* Com AFP, EFE, BBC Brasil e AP

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