Partido dá apoio a Mugabe para 2º turno no Zimbábue

HARARE - O Partido Zanu-PF, atualmente no governo do Zimbábue, decidiu que o presidente do país, Robert Mugabe, deve participar de um segundo turno contra o líder oposicionista Morgan Tsvangirai, se nenhum dos dois conseguir a maioria absoluta dos votos na primeira rodada da eleição.

Reuters |


A cúpula da legenda reuniu-se durante cerca de cinco horas para discutir o futuro de Mugabe, que enfrenta atualmente a pior crise de seus 28 anos de governo.

Nas eleições de sábado, o Zanu-PF perdeu o controle do Parlamento pela primeira vez, mas não foram divulgados ainda os resultados da votação para presidente. Em vista disso, a oposição suspeita que Mugabe esteja tentando arquitetar uma forma de sobreviver à crise.

O Movimento para a Mudança Democrática (MDC), de Tsvangirai, diz que seu candidato recebeu mais da metade dos votos e que deveria ser declarado presidente, pondo fim ao longo governo de Mugabe, que controla o Zimbábue desde a independência do país, em 1980.

Projeções do Zanu-PF e de institutos independentes mostram que o líder oposicionista conquistou o maior número de votos, mas não obteve a maioria absoluta, necessária para evitar um segundo turno.

Ao anunciar a decisão do Zanu-PF, um dirigente do partido, Didymus Mutasa, disse que os votos para deputados vão ser recontados em áreas onde os números são contestados.

Mutasa também afirmou, em comunicado, que se houver um segundo turno a comissão eleitoral decidirá a data. Esse aviso indica que o governo poderia mudar o dia previsto para a nova votação, que seria 19 de abril.

Horas antes, veteranos da guerra da independência -- um grupo poderoso que dá apoio a Mugabe -- criticaram a oposição por clamar vitória. 'Essas são provocações aos combatentes da liberdade', afirmou o líder dos veteranos, Jabulani Sibanda, em uma entrevista coletiva.

Para Sibanda, os veteranos frustrariam qualquer tentativa de fazendeiros brancos de retomar as propriedades confiscadas por Mugabe. 'Neste momento, temos a impressão de que estas eleições serviram como uma forma de abrir o país para uma nova invasão (britânica)', afirmou.

Há, no Zimbábue, uma crescente impaciência devido à demora em divulgar os resultados da eleição presidencial, ocorrida seis dias atrás.

O MDC anunciou que irá apelar à Suprema Corte para garantir a divulgação imediata dos resultados.

Mugabe enfrenta hoje uma grande onda de insatisfação já que os zimbabuanos se deparam com a maior taxa inflacionária do mundo, de mais de 100 mil por cento, uma moeda que não vale quase nada e uma grave falta de alimentos e combustível.

O comunicado dos veteranos da guerra lançada contra a elite branca que dominava o país na década de 70 parecia referir-se a uma notícia divulgada pelo jornal Herald, controlado pelo governo. Segundo o artigo, havia indícios de que alguns fazendeiros brancos tentariam retomar suas terras.

Alguns críticos do governo afirmam que o cultivo das fazendas por agricultores inexperientes e por aliados de Mugabe é um dos principais fatores para explicar o colapso da economia do Zimbábue.

Saiba mais:

  • Cronologia do Zimbábue desde sua independência
  •  Perfil de Robert Mugabe: crítico do Reino Unido e líder há 30 anos
  • Perfil de Morgan Tsvangirai: a alternativa opositora a Mugabe
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