Partido Colorado corre risco de perder o poder que detém há 60 anos

Jesús A. Rey Assunção, 19 abr (EFE).

EFE |

- O Partido Colorado corre o risco de perder a Presidência do Paraguai pela primeira vez em mais de seis décadas caso se confirmem os resultados das últimas pesquisas de intenção de voto, que dão vitória ao ex-bispo Fernando Lugo nas eleições gerais deste domingo.

Os paraguaios vão às urnas podendo escolher entre seis candidatos presidenciais, mas as enquetes dão chances de vitória apenas a Lugo, da Aliança Patriótica para a Mudança (APC), à governista Blanca Ovelar, e ao general reformado Lino Oviedo, agora líder da União Nacional de Cidadãos Éticos (Unace).

Embora a divulgação das pesquisas seja proibida a partir de 15 dias antes do pleito, a divulgada no último domingo pelo diário "Última Hora", sob amparo de uma sentença da Corte Suprema paraguaia, concedia a Lugo uma vantagem de seis pontos percentuais sobre Ovelar e Oviedo.

No entanto, também registrava um aumento nas intenções de voto da candidata do Governo, e os analistas lembram o grande poder de mobilização do Partido Colorado em retas finais de campanha, o que foi visível em cidades como Assunção no último final de semana.

Embora sua vantagem tenha sido maior em outras pesquisas, o próprio Lugo admitiu à Agência Efe que o momento "não é para que todos (de seu partido) fiquem tranqüilos, mas, sobretudo, para que sigam trabalhando, para que gerem mais confiança entre os cidadãos e que essa intenção possa ser traduzida em votos reais".

Para preservar sua candidatura, Lugo optou por não participar do último debate televisivo antes das eleições, na quinta-feira passada, alegando que "não existem, neste momento, as condições políticas para poder participar de um encontro com estas características".

O ex-bispo, identificado por empresários e grandes produtores de terra com posições esquerdistas, alinhadas com as do presidente venezuelano, Hugo Chávez, insistiu em afirmar em seus comícios que seus únicos inimigos "são a máfia" instalada no poder, em referência ao colorados.

Ao não conseguir unir toda a oposição em torno de sua candidatura, Lugo decidiu apoiar-se na força eleitoral do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA, de centro-direita), segunda maior legenda do país e cujo líder, Luis Federico Franco Gómez, é o candidato à Vice-Presidência.

O ex-bispo conta ainda com o suporte de grupos de esquerda e de organizações e movimentos sociais de massa.

Reflexo da disparidade ideológica da APC, o discurso de Lugo é de conciliação para buscar um Governo de "todos e para todos", mas com forte caráter nacionalista em suas reivindicações para com Brasil e Argentina pela distribuição de lucros e benefícios por meio das hidrelétricas que o Paraguai compartilha com os países vizinhos.

Oviedo também quer atrair votos dos "colorados descontentes", especialmente dos mais de 360 mil que apoiaram, nas primárias do Partido Colorado, em dezembro último, o ex-vice-presidente Luis Castiglioni, que se diz vítima de uma fraude e não apóia Blanca Ovelar.

O general reformado, cujo partido apoiava Lugo até meados do ano passado, pretende fechar sua controvertida carreira política com a chefia de Estado, após ter promovido uma campanha na qual prometeu de tudo.

Oviedo teve seu poder político truncado nos anos 90 pelo exílio - viveu no Brasil e na Argentina - e a prisão da qual saiu no final de 2007. Havia sido condenado a dez anos de prisão por conspirar contra o governo do presidente Juan Carlos Wasmosy, em 1996.

O Supremo Tribunal Federal (STF) negou, durante o exílio do general reformado, pedido do Governo paraguaio para sua extradição, alegando que Oviedo seria vítima de perseguição política.

Além das promessas de campanha, o agora candidato da Unace direciona seus ataques a Lugo - a quem relaciona com Chávez e com o presidente da Bolívia, Evo Morales - e ao atual presidente Nicanor Duarte.

Curiosamente, na propaganda eleitoral "colorada" não aparecem os candidatos à Câmara Alta, cuja lista é liderada pelo próprio Duarte, porque, segundo a oposição, "são espanta votos".

O presidente, no entanto, usou todos os seus atos públicos para fazer campanha pela candidata que ele mesmo indicou, Blanca Ovelar.

A ex-ministra da Educação de Duarte tem um duplo desafio nas eleições gerais: ser a primeira mulher a governar o país e evitar uma queda histórica de seu partido, que pela primeira vez não chega unido a uma votação devido à revolta de Castiglioni.

Em muitos de seus discursos, e sobretudo na TV, em universidades e foros empresariais, Blanca poucas vezes defende o Governo de que fez parte por quase quatro anos, ao admitir a existência de graves problemas no país, como a pobreza ou a crescente emigração.

Além das eleições presidenciais, os paraguaios escolhem, neste domingo, senadores, deputados federais, parlamentares do Mercosul, governadores e deputados estaduais (membros das chamadas Juntas Departamentais). EFE ja/fr/mh

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