Partidários do governo se manifestam em Bangcoc em meio à violência

Dois atentados noturnos em locais ocupados por opositores deixaram pelo menos 51 feridos em Bangcoc, onde vários milhares de partidários do governo se reuniram neste domingo para prevenir um eventual golpe de Estado na Tailândia.

AFP |

Cerca de 4.000 manifestantes vestidos de vermelho se reuniram a poucos quilômetros de seus adversários, que ocupam há mais de três meses os escritórios do primeiro-ministro, Somchai Wongsawat.

"Estamos reunidos aqui hoje para proteger o sistema democrático e para dizer que não queremos um golpe de Estado", declarou um líder pró-governo, Jatuporn Prompan.

"O grupo vai ficar aqui até o dia 4 de dezembro", afirmou.

Vários manifestantes ostentavam bandanas com a inscrição "Thaksin", do nome do ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, atualmente no exílio.

Shinawatra, 59 anos, foi primeiro-ministro de 2001 a 2006 antes de ser derrubado pelo Exército depois de acusações de abuso de poder, corrupção e falta de respeito com a monarquia.

Seus tenentes voltaram ao poder ao ganhar as eleições legislativas de dezembro de 2007, que acabaram com 15 meses de governo militar.

Os partidários do governo travam um duro embate com a opositora Aliança do Povo pela Democracia (PAD), instigadora da agitação atual.

Vestidos de amarelo, a cor do rei, os militantes da PAD tomaram terça-feira os dois aeroportos de Bangcoc.

Eles juraram obter a renúncia de Somchai, que acusam de ser subordinado a Thaksin, seu cunhado.

A grave crise política que abala a Tailândia há vários meses descambou para a violência nas últimas semanas, depois de uma série de enfrentamentos que deixaram seis mortos e centenas de feridos desde o fim de agosto.

Dois ataques com granada contra membros da PAD feriram 51 pessoas na madrugada deste domingo.

Dois transeuntes foram feridos fora do aeroporto para vôos domésticos de Don Mueang, ocupado desde quinta-feira.

Mais cedo, 49 pessoas foram feridas por outra granada atirada contra a sede do governo, onde opositores estão acampados.

Cerca de 100.000 passageiros estão bloqueados em Bangcoc, aguardando a reabertura dos aeroportos.

Trabalhosas operações de evacuação de milhares de turistas a partir de uma base militar do sudeste do país continuavam neste domingo.

"É um caos total", comentou Bonnie Chan, uma turista californiana de 29 anos que tenta sair de U-Tapao.

Muitos governos estrangeiros desaconselharam seus cidadãos a viajarem à Tailândia, onde ainda é possível pousar em Chiang Mai e Phuket (sul). Companhias aéreas estão fretando vôos especiais para as operações de evacuação.

No terreno, a PAD prosseguia sua queda-de-braço com a polícia, ignorando suas advertências repetidas.

Um oficial afirmou neste domingo que negociações estavam em andamento para tentar sair do impasse.

A polícia alegara na véspera ter entrado em contato com a PAD, mas um dos líderes do movimento negou categoricamente esta informação.

O chefe do Exército, o general Anupong Paojinda, já disse que se recusa a intervir contra a PAD, e vivas tensões foram registradas entre ele e Somchai.

Entrincheirado desde quarta-feira na cidade de Chiang Mai, a 700 km de Bangcoc, Somchai Wongsawat se recusou a dissolver o Parlamento, como lhe pediu o general Annupong, e lembrou que foi eleito democraticamente.

bur/yw

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