Partidários de Morales protestam e pedem renúncia de opositores

YAPACANI - Milhares de camponeses seguidores de Evo Morales mantêm bloqueados os acessos à cidade de Santa Cruz, núcleo autonomista boliviano, e exigem a renúncia dos líderes opositores da região, informaram os manifestantes.

Redação com agências internacionais |

Os camponeses mantêm bloqueada a ligação entre Cochabamba e Santa Cruz, para onde ameaçam marchar caso o governador deste departamento (Estado), Rubén Costas, e o presidente do comitê cívico de Santa Cruz, Branco Marinkovic, não renunciem.

O primeiro ponto de bloqueio está a pouco mais de 100 quilômetros de Santa Cruz, próximo à ponte de Yapacaní.


Partidários de Morales marcham na Bolívia / AP

Apesar do pré-acordo assinado ontem entre o governo e a oposição autonomista para abrir um processo de diálogo nacional que permita superar a crise, os partidários de Evo Morales consideram que os bloqueios não devem cessar.

Os manifestantes continuam acampados e impedem a passagem de veículos às estradas que levam à capital de Santa Cruz. As pessoas que participam do protesto não apresentam sinais de fraqueza, apesar da escassez de comida, que contornam mascando folhas de coca.

Pré-acordo entre governo e oposição

Os prefeitos (governadores) da oposição boliviana assinaram na noite de terça-feira um documento que será base para as discussões de um "acordo nacional" com o governo central e que pode colocar fim à crise política que se intensificou no país na última semana. A primeira reunião entre os opositores e membros do governo de Evo Morales já está marcada para quinta-feira, na cidade de Cochabamba.

A agenda de negociações entre as partes, segundo o prefeito, deve contemplar a discussão sobre a restituição para os Departamentos do IDH (Imposto Direto de Hidrocarbonetos).

"Essa devolução é fundamental. Será a devolução dos excedentes que ficavam com o governo", disse o prefeito de Tarija, Mario o Cossío. A autonomia dos Departamentos e a nova Constituição boliviana também estarão na pauta de negociações.

Confrontos em Pando

Cobija foi cenário na semana passada de saques a prédios públicos e assaltos à propriedade privada, depois que setores civis de direita massacraram, segundo o governo, camponeses leais ao presidente Evo Morales.

Os confrontos deixaram 30 mortos, a maioria indígenas. O prefeito (governador) de Pando, Leopoldo Fernández, responsabilizado pela violência por La Paz, foi preso na terça-feira.

Crise na Bolívia

Os departamentos bolivianos de Tarija, Santa Cruz, Beni, Pando e Chuquisaca (que juntos foram a região conhecida como "Meia Lua") pleiteiam maior autonomia e têm sido palco há meses de protestos contra Morales.

Eles ficam no leste da Bolívia e são os departamentos mais ricos do país, graças principalmente à produção de gás e soja.

O departamento de Tarija, por exemplo, possui mais de 80% das reservas de gás bolivianas.

O oeste da Bolívia, onde vive a maior parte da população indígena, é a região em que o presidente conta com mais apoio.


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* Com EFE e AFP

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