Partidários de Bin Laden homenageiam líder da Al-Qaeda em vários países

Simpatizantes de terrorista saem às ruas no Paquistão, Índia, Egito, Filipinas e Turquia e criticam governo dos EUA

iG São Paulo |

AP
Partidário de partido religioso do Paquistão segura imagem de Osama bin Laden during protesto em Kuchlak, a 25 quilômetros de Quetta, no Paquistão
Muçulmanos no Paquistão, Índia, Egito, Filipinas e Turquia saíram às ruas de seus países nesta sexta-feira para prestar homenagens ao ex-líder da Al-Qaeda Osama bin Laden , morto em uma operação de comandos americanos em uma cidade paquistanesa no domingo. Sua morte foi confirmada nesta sexta-feira em comunicado da Al-Qaeda, que prometeu vingança.

Cerca de 10 mil se reuniram em uma mesquita da cidade indiana de Chennai (sul) para protestar pelo modo como Bin Laden foi jogado ao mar depois de sua morte, informaram os meios de imprensa do país asiático. "Como foi negado a Bin Laden o rito final pela tradição islâmica, os devotos lhe ofereceram um funeral muçulmano", explicou à agência "Ians" o clérigo Shamsudeen Qasimi, imame da mesquita de Makkah, onde aconteceu a congregação.

O líder religioso defendeu que a finalidade das rezas era mostrar que Bin Laden não é "órfão", mas faz parte dos 1,6 bilhão de muçulmanos que há no mundo, ao mesmo tempo em que criticou os EUA por jogar seu corpo ao mar depois de matá-lo.

Qasimi acusou os EUA de criar uma falsa imagem de terrorista para o líder da Al-Qaeda por meio de seu poder nos meios de comunicação. O imame argumentou que "não há nada de errado em rezar por Bin Laden na Índia", já que não haveria provas de sua participação nos atentados do 11 de Setembro.

Na Caxemira indiana, grupos separatistas homenagearam Bin Laden na cidade de Srinagar. A principal concentração aconteceu no bairro de Batmaloo por volta das 14h30 locais (6h de Brasília) e foi convocada pelo líder da facção radical da Conferência Hurriyat, Syed Ali Geelani.

Ele liderou uma oração coletiva que contou com a participação de cerca de mil pessoas, segundo uma fonte da facção. Uma fonte policial informou, no entanto, que "poucas pessoas compareceram ao local", embora não tenha especificado a quantidade.

Segundo a agência indiana "Ians", Geelani lembrou durante o ato que Bin Laden, morto por forças especiais americanas na cidade paquistanesa de Abbottabad , "morreu como um mártir que lutou contra a opressão dos EUA no Afeganistão, no Iraque e na Líbia". O líder separatista disse também que "as sensibilidades muçulmanas foram feridas em todo o mundo pela decisão (dos EUA) de lançar o corpo de Osama ao mar".

"Por causa da tristeza e dor que os crentes muçulmanos sentimos no mundo todo pelo modo como foi sepultado, hoje rezamos por ele em sua ausência", disse Geelani, que foi liberado de sua prisão domiciliar para assistir à homenagem.

O líder separatista do Partido Democrático pela Liberdade, Shabir Ahmad Shah, também organizou uma manifestação de luto por Bin Laden no bairro de Sarai Bala, segundo a "Ians". Na Caxemira, única região indiana de maioria muçulmana, milhares de soldados das forças de segurança estão de plantão para proteger a fronteira com o Paquistão e controlar os movimentos insurgentes locais.

No Paquistão, centenas saíram em passeata pelas ruas da cidade de Quetta, no sul do país, para fazer uma homenagem a Bin Laden e para convocar uma guerra santa contra os americanos.

A manifestação foi organizada pelo Jamiat Ulema e Islam (JUI), partido político ideologicamente ligado à milícia islâmica do Taleban em Kuchlak, subúrbio de Quetta, onde a multidão gritava "Vida longa a Osama". Uma bandeira americana foi queimada. "Os serviços prestados por Osama aos muçulmanos serão para sempre lembrados", disse Abdul Qaidr Loone, jovem líder do JUI, em um discurso.

Hafiz Fazal Bareach, ex-senador e alto dirigente do JUI, afirmou que, ao matarem Bin Laden, os Estados Unidos criaram milhares de outros à sua imagem e semelhança. "Um Osama se transformou em mártir, e agora nascerão milhares de Osamas, porque ele criou um movimento contra as forças antimuçulmanas que não depende de personalidades", declarou, acrescentando que a "jihad (guerra santa) continuará contra os Estados Unidos e seus aliados".

Homenagens no Egito, Filipinas e Turquia

Mais de 3 mil salafistas realizaram uma manifestação no Cairo em protesto pela morte do líder da rede terrorista e caminharam em direção à embaixada dos EUA na capital egípcia, segundo fontes da polícia. No entanto, foram bloqueados nas imediações da missão diplomática no centro da capital egípcia.

Os manifestantes exibiam faixas onde se lia "Osama bin Laden é o símbolo da Jihad (Guerra Santa)", "Obama, o terrorista não é Osama" e "Obama, o sangue de Osama não correu em vão".

Os grupos salafistas saíram após as preces do meio-dia da mesquita de Al-Nour, uma das mais importantes do Cairo. "Osama bin Laden é um mártir", "Que caiam os agentes dos EUA", "Todos somos Bin Laden", "Sacrificamos nosso sangue e nossa alma por ti, mártir", foram alguns dos slogans cantados.

Os salafistas, que seguem uma interpretação rigorosa e radical do Islã sunita, estão ganhando força no Egito depois da libertação de muitos deles das prisões após a revolta que levou à queda do regime do presidente Hosni Mubarak .

Nas Filipinas, ao menos uma centena de muçulmanos protestaram no centro de Manila contra a morte de Bin Laden. Aos gritos em árabe de "Alá é o maior", os manifestantes partiram em direção às imediações da embaixada americana após a prece de sextas-feiras. Um cordão policial impediu a passagem do grupo.

Xeque Khamil Yahyah, líder espiritual do conselho superior de ulemás do Bangsamoro (denominação do povo muçulmano das Filipinas), garantiu que os pensamentos políticos de Bin Laden "são a melhor estratégia para disseminar as doutrinas do Alcorão".

Yahyah afirmou que embora para o restante do mundo Bin Laden seja considerado "a reencarnação do demônio", os muçulmanos o reverenciam como mártir porque, "se de fato morreu no Paquistão em 1º de maio, o fez defendendo a causa muçulmana e a liberdade".

O líder religioso denunciou "a profanação do corpo de Bin Laden" pelo governo dos EUA e lamentou que esse país "não tenha tido a decência de entregar o corpo às autoridades paquistanesas ou a algum membro de sua família na Arábia Saudita", referindo-se ao fato de que as autoridades americanas realizaram o funeral do líder terrorista no mar.

Durante o protesto não houve nenhum ato violento, apesar da exaltação de alguns dos participantes, que não pararam de proferir gritos contra dos EUA, que acusam de terrorismo. "Não é justo que tenham matado Bin Laden, sabemos que era um homem bom. Não acreditamos que ele foi o responsável pelos atentados de Nova York. Não podemos julgá-lo porque é nosso irmão", comentou Mohammed Lowth, um jovem manifestante de 16 anos.

Cerca de 80% da população se declara católica nas Filipinas, mas a religião muçulmana é majoritária em algumas regiões ao sul do país, onde já estava instaurado um sultanato quando chegaram os colonos espanhóis.

Na Turquia, cerca de 200 foram às ruas em Istambul como parte de um protesto contra os EUA e para denunciar a morte do líder da Al-Qaeda. Os manifestantes, reunidos diante da mesquita Fatih, ao final da prece de sexta-feira, levavam uma faixa com os dizeres: "Estados Unidos terroristas, Osama mujahid" (combatente)."

Em resposta a uma convocação do jornal islamita Milli Gazete e da organização de mesma tendência Özgür Der, eles levavam cartazes com fotos de Bin Laden e outras que mostravam soldados americanos assediando mulheres no Iraque.

"Não esqueceremos jamais os crimes dos Estados Unidos e de Israel", lia-se numa faixa. Não foi registrado nenhum incidente durante a manifestação, realizada à tarde.

O regime islâmico moderado da Turquia havia comemorado a morto do dirigente da Al-Qaeda. "Recebo com grande satisfação sua morte", declarou o presidente Abdullah Gül. A Turquia, país de maioria muçulmana, mas laico, luta contra a rede Al-Qaeda, e realiza detenções, com regularidade, nos meios islâmicos extremistas.

*Com EFE e AFP

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