Participação da oposição acirra disputa nas eleições da Mauritânia

Maaruf Ould Udaa. Nuakchott, 17 jul (EFE).- A participação de última hora da oposição nas eleições presidenciais de amanhã na Mauritânia abriu o leque de candidatos com possibilidades de vitória, apesar de o favoritismo continuar com o ex-chefe da Junta Militar Mohammed Ould Abdelaziz.

EFE |

Se as eleições tivessem acontecido no dia 6 de junho, quando foram convocadas de forma unilateral pela Junta golpista, ninguém teria dúvidas de que Abdelaziz alcançaria a vitória.

Seus oponentes eram apenas partidários que serviriam para dar certa credibilidade democrática às eleições, que seriam boicotadas pela oposição ao golpe de Estado de agosto de 2008.

No entanto, após um acordo entre os golpistas e a oposição faltando apenas quatro dias para a realização prevista do pleito, surgiram candidatos que, pelo menos em teoria, podem ameaçar Abdelaziz.

Três velhos conhecidos da política local aparecem com possibilidades de vitória: o líder da oposição parlamentar, Ahmed Ould Daddah; o presidente da Assembleia Nacional, Messaoud Ould Boulkheir, e o chefe da Junta Militar que conduziu a transição à democracia em 2007, Ely Ould Mohammed Vall.

Esta mudança na disputa transformou o que era uma campanha eleitoral sem muito interesse em uma grande festa que não foi isenta de momentos de tensão e ataques pessoais.

Os candidatos multiplicaram seus comícios no interior do país, com muitas promessas para a população e críticas a seus adversários, com acusações mutuas de corrupção.

Apesar de tudo, Abdelaziz se diz seguro de que disputará o segundo turno do pleito, que acontece no dia 1º de agosto.

Segundo o diretor do Centro Árabe-Africano para a Informação e o Desenvolvimento (CAAID), Mohammed Salem Ould Dah, "Abdelaziz tem uma vantagem real, porque governou o país por dez meses e adotou medidas concretas em favor das camadas mais desfavorecidas da população".

Os opositores de Abdelaziz, principalmente a Frente Nacional de Defesa da Democracia (FNDD), promoveram uma intensa campanha de desprestígio contra o ex-chefe da Junta Militar.

No entanto, para o diretor do CAAID, esta ofensiva não prejudicou seriamente os interesses de Abdelaziz, que focou sua campanha nos bairros mais populares das grandes cidades e no eleitorado rural.

Para garantir o voto dos mais pobres, ele investiu na organização dos bairros periféricos ocupados ilegalmente, na distribuição de títulos de propriedade, na repartição de alimentos e no reforço do sistema de saúde do país.

Abdelaziz também foi muito elogiado pelos mauritanos por congelar as relações diplomáticas com Israel, já que a Mauritânia é um dos três países árabes - junto com Egito e Jordânia - a reconhecer o Estado judeu.

Apesar da falta de pesquisas confiáveis sobre as eleições, Ould Dah acredita em uma vitória de Abdelaziz no primeiro turno com cerca de 60% dos votos.

Entretanto, esta opinião não é compartilhada por muitos analistas, que não acreditam que um dos candidatos conseguirá mais da metade dos votos amanhã.

Para o dirigente da Associação Independente de Jornalistas Mauritanos, El Hussein Ould Medu, "a variedade de candidatos sérios faz com que a possibilidade de um segundo turno seja quase inevitável".

Segundo Medu, a verdadeira batalha acontecerá no segundo turno, quando os dois candidatos mais votados terão de provar sua capacidade de forjar alianças com seus rivais. EFE mo-er/mh

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