Parlasur não recebe denúncia de jornalistas venezuelanos

Montevidéu, 21 set (EFE).- O Parlamento do Mercosul (Parlasur) recusou hoje a solicitação de vários jornalistas da Venezuela de denunciar para a Comissão de Cidadania e Direitos Humanos do bloco as violações da liberdade de expressão em seu país.

EFE |

Segundo disse à Agência Efe um porta-voz do Parlamento do Mercosul, a câmara desprezou no último instante a solicitação da comitiva de jornalistas de apresentar denúncias à comissão, apesar de profissionais venezuelanos terem a confirmação por escrito que teriam direito de palavra.

"A presidente da Comissão (Mirtha Palacios) informou a decisão da presidência do Parlasur", confirmou à Efe o vereador metropolitano da Prefeitura de Caracas, Freddy Guevara.

Um opositor ao Governo do presidente venezuelano, Hugo Chávez, o vereador acompanhava à delegação de cinco jornalistas.

"Depois do incidente de hoje ninguém pode dizer que o Governo da Venezuela não está escondendo algo ao mundo", ironizou Guevara.

"Os parlamentares também decidiram arquivar as 14 denúncias apresentadas no último ano e meio contra a Venezuela" por supostas violações de direitos no país, informou à Efe a deputada governista venezuelana Marelys Pérez, integrante da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos do Parlasur.

Segundo Pérez, as denúncias só poderiam ser aceitas se a Venezuela fosse um país-membro do Mercosul.

"Nós queríamos expor uma série de denúncias relacionadas à violação da liberdade de expressão e à criminalização do protesto na Venezuela", detalhou Guevara, que disse que quatro pessoas foram presas por se manifestarem.

Outros 12 jornalistas foram agredidos em agosto quando se manifestavam contra a Lei Orgânica de Educação em uma região na área central de Caracas.

O vereador da oposição referiu-se também "ao fechamento de 34 emissoras venezuelanas e destacou o anúncio do Governo de Hugo Chávez que a medida será estendida a outras 240 rádios".

Segundo contou outro jornalista da comitiva, o Governo vai repartir entre amigos as concessões para facilitar as eleições que a Venezuela realizará no próximo ano.

Guevara lembrou que "Venezuela e Cuba são os únicos países que não permitiram a entrada da Comissão Interamericana de Direitos Humanos" para ser inspecionados. EFE lh/dm

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