Parlamento uruguaio retoma debate sobre aborto após ameaça de bomba

Montevidéu, 4 nov (EFE) - A Câmara dos Deputados do Uruguai retomou nesta tarde sua sessão ordinária que analisa a possível descriminalização do aborto e que foi interrompida durante quase uma hora devido a uma ameaça de bomba, informaram fontes parlamentares.

EFE |

"Após a revisão dos especialistas, chegou-se à conclusão de que foi alarme falso e os legisladores voltaram às suas bancadas", disse à Agência Efe uma fonte do Parlamento.

"Além disso, os legisladores resolveram que o trabalho não voltará a ser interrompido caso sejam recebidas novas ameaças", acrescentaram.

As tribunas do Parlamento, onde várias pessoas se concentraram para presenciar o debate legislativo, também foram esvaziadas por causa da falsa ameaça.

Os deputados devem examinar e votar o projeto de Lei Sobre Saúde Sexual e Reprodutiva que contém essa descriminalização parcial do aborto (durante os primeiros três meses de gravidez, por risco para a mãe e problemas econômicos) e que levantou um forte debate na sociedade uruguaia.

Na véspera do debate parlamentar, cerca de três mil pessoas fizeram uma passeata pelo centro de Montevidéu, liderados pela organização Pró-Vida, contrária à legalização do aborto.

Enquanto os legisladores analisam o tema, dezenas de pessoas, em sua maioria mulheres a favor da descriminalização, mas também grupos contrários, se concentram na frente do Parlamento para se manifestar a favor e contra o aborto.

A discussão parlamentar promete ser intensa, porque divide a opinião de quase todos os partidos.

A Frente Ampla, coalizão de esquerda que sustenta o governo, defende a reforma, mas há deputados em suas fileiras que se mostraram contrários.

Na oposição, o Partido Nacional ou Blanco se opõe à lei, mas no Partido Colorado há deputados que são partidários da descriminação.

Para maior complicação do panorama, o presidente do Uruguai, o socialista Tabaré Vázquez, médico de profissão, indicou em várias ocasiões que vetará a lei se ela for aprovada.

No entanto, não está claro como poderia concretizar-se esse veto, pois, para emiti-lo, Vázquez precisaria de um acordo com o ministro correspondente, neste caso a ministra da Saúde Pública, María Julia Muñoz, ou de um consenso do Conselho de Ministros.

Por enquanto, a iniciativa já foi aprovada pelo Senado, daí o interesse com o que possa ocorrer e após as pressões que a Igreja Católica (com pouca voz neste país laico) tentou exercer sobre o debate nos últimos dias. EFE jf/db

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