Parlamento provincial pede que Musharraf se submeta a voto de confiança

Islamabad, 15 ago,(EFE).- O Parlamento da província do Baluchistão (sudoeste) pediu hoje que o presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, se submeta a um voto de confiança da câmara, algo que já fizeram as outras assembléias regionais ao longo desta semana.

EFE |

Dos 65 deputados da câmara, 57 votaram a favor da resolução e sete não compareceram, informa a emissora "Geo TV".

Os deputados que tomaram a palavra no plenário afirmaram que Musharraf era culpado por violar a Constituição, causar uma crise econômica e energética no país e fomentar o confronto entre as províncias paquistanesas.

As outras três câmaras regionais aprovaram uma resolução similar esta semana, que insta também o Governo a iniciar o processo de impugnação de Musharraf em caso de este se recusar ao voto de confiança.

Para que este processo prospere é necessário que a metade dos membros das duas câmaras federais apresente uma folha de acusações contra Musharraf, que os partidos do Governo afirmam que apresentarão na semana que vem.

Posteriormente, terá que ser convocada uma sessão conjunta entre Parlamento e Senado, com um prazo de uma a duas semanas, para investigar, debater e votar sobre a destituição.

Dois terços dos legisladores na sessão conjunta têm que votar a favor da cassação (impeachment) para que Musharraf saia do poder.

No entanto, a imprensa local e internacional especulou com a possibilidade de que Musharraf renuncie antes de começar o processo de cassação contra ele.

O porta-voz da presidência, Rashid Qureshi, chamou hoje de "infundadas" e "maliciosas" estas informações, afirma a agência oficial APP.

Qureshi, que já afirmou que o presidente "não tem a intenção de abandonar", declarou que estes rumores não fazem mais que gerar incerteza e causar um efeito negativo sobre a economia.

O jornal local "Daily Times" publicou hoje na sua capa um artigo sobre o "pacto" oferecido pelo Governo a Musharraf para que este renuncie em troca de uma "saída segura" para o presidente que lhe permita desfrutar de imunidade legal.

A imprensa local também noticiou hoje uma reunião entre Musharraf e vários de seus colaboradores da Liga Muçulmana-Q em sua residência de Rawalpindi, próxima de Islamabad, na qual o ex-general lhes afirmou que enfrentará o processo de cassação na Assembléia paquistanesa.

Musharraf lhes lembrou que foi escolhido presidente em outubro do ano passado e acrescentou que pensa em cumprir os cinco anos de seu novo mandato, informa a "Geo TV".

Além disso, o presidente acusou um de seus maiores inimigos, o ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif - a quem enviou ao exílio após seu golpe de Estado em 1999 -, de ser o responsável pela crise política que o país vive.

No entanto, o porta-voz de Musharraf também desmentiu que esta reunião tenha acontecido. EFE igb/fal

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