Parlamento português rejeita casamento gay

LISBOA - O Parlamento de Portugal rejeitou na sexta-feira uma proposta para permitir o casamento entre pessoas do mesmo sexo, provocando indignação entre os gays, que dizem sofrer discriminação nesse país católico e conservador.

Reuters |

A proposta feita pelos pequenos partidos Bloco Esquerdista e Verde com vistas a derrubar a proibição existente atualmente viu-se rejeitada pela ampla maioria dos parlamentares já que os socialistas, atualmente no poder e majoritários dentro do órgão, uniram-se à oposição de centro-direita.

O presidente do Parlamento, Jaime Gaime, não forneceu os números sobre o resultado final da votação, mas disse que a proposta havia sido rechaçada.

Do lado de fora da sede do Poder Legislativo,cerca de 30 manifestantes gays protestaram fingindo se casarem.

"Estou aqui porque todos os cidadãos são cidadãos plenos em seus deveres, mas não em seus direitos. E isso é um erro muito grave em uma democracia", afirmou à Reuters Television Joana, uma mulher que se casou com sua parceira.

"Homófobos caquéticos!", gritou um manifestante gay dentro do plenário, depois da votação, antes de ser retirado pela polícia.

Os homossexuais, que esperavam implantar em Portugal valores já adotados em outros locais da Europa e considerados mais progressistas e modernos, ganharam coragem depois de um referendo no país ter, no ano passado, derrubado o veto ao aborto.

A vizinha Espanha permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo desde 2005.

Domínio católico

Os valores católicos, no entanto, continuam a determinar o rumo de muitas das questões sociais debatidas em Portugal. O cardeal José Policarpo, patriarca de Lisboa, advertiu que permitir o casamento entre gays representaria uma violação da família.

"O que está em jogo é romper com uma profunda concepção da família", disse na Rádio Renascença, uma estação católica.

Alice Ferreira, 70, aposentada, afirmou ao canal de TV SIC que os homossexuais podiam ter suas preferências, mas que não deveriam ter o direito de se casarem.

"Eu não acho que eles poderiam se casar de verdade porque o casamento visa à criação de famílias", afirmou.

Os defensores da mudança argumentam que a proibição sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo, incluída no Código Civil de Portugal, é inconstitucional, já que a Carta Magna, de 1975, proíbe a discriminação sexual.

Pesquisas mostraram que menos de 30% dos portugueses são favoráveis ao casamento entre pessoas do mesmo sexo - a média de apoio a esse tipo de laço dentro da União Européia (UE) é de 45 por cento, segundo o instituto Eurobarometer.

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