Parlamento polonês insiste para que Kaczynski ratifique Tratado de Lisboa

Varsóvia, 1 jul (EFE).- O Parlamento polonês pediu hoje ao presidente do país, Lech Kaczynski, para ratificar o Tratado de Lisboa, depois que o chefe de Estado afirmou em entrevista que o acordo já não faz sentido depois do não irlandês.

EFE |

Após a entrevista, publicada hoje pelo jornal "Dziennik", na qual Kaczynski assegurou que "o Tratado já não fazia mais sentido", as reações não demoraram a aparecer. Vários políticos reprovaram a atitude do presidente, que disseram "mais uma vez colocar em dúvida a reputação do país".

O presidente do Sejm (Parlamento polonês), o liberal Bronislaw Komorowski, acusou o conservador nacionalista Kaczynski de "brincar com fogo".

"As declarações do presidente me preocupam, pois a Polônia deveria fazer parte dos países que ajudam a Irlanda a superar sua crise, ratificando o mais rápido possível o Tratado", disse Komorowski em declarações a vários meios de comunicação poloneses.

O presidente da Câmara ressaltou que o "Parlamento cumpriu com sua tarefa, e agora é o presidente quem deve apoiar o acordo de um tratado que ele próprio negociou".

Já o ministro do Interior Grzegorz Schetyna se mostrou decepcionado com as declarações do presidente, e assegurou que foi "surpreendido".

Imagem deteriorada

Slawomir Nowak, chefe de gabinete do primeiro-ministro polonês, Jaroslaw Kaczynski, advertiu para uma nova deterioração da imagem da Polônia.

"Lech Kaczynski está de acordo com o presidente tcheco, Vaclav Klaus, um dos principais 'eurocéticos'. Seria ruim se a Polônia tivesse de prestar contas em todos os lugares só por culpa da opinião de seu presidente", disse Nowak em declarações à imprensa.

Na controvertida entrevista, publicada hoje na página de internet do jornal "Dziennik", Kaczynski disse não saber o que vai acontecer agora com o Tratado, mas ressaltou que "não é sério" afirmar que a União Européia não pode continuar existindo sem este.

Segundo o presidente, esta mesma opinião foi ventilada após o "não" ao projeto de Constituição Européia nos referendos da França e da Holanda, e mesmo assim "a UE continuou, continua e continuará funcionando".

O Parlamento polonês (Sejm) ratificou no último dia 1º de abril o texto com os votos da legenda de Lech Kaczynski, de seu irmão gêmeo, Jaroslaw Kaczynski, do partido Lei e Justiça (PiS) e da oposição formada por uma minoria de deputados de extrema-direita.

No entanto, o Tratado está pendente da aprovação do Chefe de Estado, necessária para sua ratificação definitiva.

Segundo uma pesquisa, cerca de três quartos da população polonesa apóiam o Tratado de Lisboa e rejeitam sua renegociação.

O Tratado de Lisboa foi assinado na capital portuguesa em dezembro do ano passado, e foi desenhado para substituir o projeto de Constituição Européia, que foi rejeitado pelos eleitores da França e da Holanda em 2005.

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