Parlamento pede ajuda internacional em 24 horas para salvar Somália

Mogadíscio, 20 jun (EFE).- O Parlamento somali pediu hoje aos países vizinhos uma intervenção militar imediata para salvar o Governo do presidente, Sharif Sheikh Ahmed, ameaçado por grupos radicais islâmicos que tentam derrubá-lo.

EFE |

"A Somália está em perigo. Pedimos ao mundo e aos países vizinhos que intervenham em 24 horas", disse em entrevista o presidente do Parlamento somali, Sheikh Aden Mohammed Noor, que pediu a Etiópia, Quênia, Iêmen e Djibuti para enviarem tropas imediatamente, "ou serão os próximos caso os terroristas tomem o poder aqui".

O presidente do Parlamento somali fez o pedido em entrevista no Palácio Presidencial de Mogadíscio, depois que o Parlamento aprovou a solicitação reunido nesse recinto, pois a sede habitual da Casa, no norte da capital somali, se encontra hoje em uma zona de confrontos.

O Governo de Sheikh Ahmed, segundo disse o líder parlamentar, está a ponto de ser deposto por grupos radicais islâmicos liderados pelo Al-Shabab, o qual os Estados Unidos vinculam com a Al Qaeda.

A milícia e outras organizações radicais islâmicas, apoiadas por centenas de combatentes estrangeiros e comandadas por um paquistanês vinculado com a Al Qaeda, iniciaram em 8 de maio uma ofensiva contra o Governo.

Enquanto o Parlamento fazia o pedido, no norte de Mogadíscio foi registrada hoje uma intensificação dos confrontos que começaram na sexta-feira, nos quais pelo menos 15 pessoas morreram e 60 ficaram feridas, disseram à Agência Efe serviços médicos e de saúde.

Milhares de pessoas não conseguem sair das regiões que ficam entre as forças do Governo e os rebeldes, que foram expulsos de algumas áreas ocupadas ontem, segundo explicaram à Efe alguns moradores.

Muitas pessoas também começaram a abandonar Mogadíscio e seus arredores depois que o presidente do Parlamento pediu a intervenção imediata das tropas estrangeiras.

Neste país, os habitantes lembram com temor a atuação e as muitas vítimas civis deixadas pelas tropas etíopes nos dois anos que estiveram na Somália, entre 2006 e 2008, para apoiar o Governo de Transição anterior, respaldado pela ONU.

A atual situação na Somália é uma das piores das duas décadas de anarquia vivida pelo país, que não tem um Governo firme desde que o ditador Siad Barre foi derrubado, em 1991, e que "senhores da guerra" e organizações islâmicas armadas tomaram o poder e repartiram o território.

Nos últimos dias, várias autoridades somalis morreram. A última vítima fatal foi o parlamentar Mohammed Hussein Addow, um antigo senhor da guerra que foi morto ontem à noite quando liderava as milícias governamentais no bairro de Karan, de Mogadíscio.

Na quinta-feira, o ministro de Segurança Interior, Omar Hashi Aden, morreu em um atentado suicida na cidade de Baladweyne, no Centro, junto com pelo menos outras 37 pessoas.

No dia anterior foi a vez de o comissário de Polícia de Mogadíscio, coronel Ali Said Sheikh Hassan, morrer em um confronto com rebeldes radicais islâmicos.

O presidente Sheikh Ahmed, após o assassinato do ministro de Segurança, pediu à população somali e à comunidade internacional que "atuem antes que a situação piore".

O ministro de Assuntos Exteriores queniano, Moses Wetangula, após se reunir nesta sexta com enviados da União Europeia (UE), insinuou que poderiam realizar uma intervenção militar na Somália.

A Missão da União Africana na Somália (Amisom) tem cerca de 4.300 soldados de Burundi e Uganda na zona de Mogadíscio, mas eles apenas protegem o Palácio Presidencial e algumas instalações essenciais, como o aeroporto.

Desde 8 de maio, quando começou a ofensiva dos radicais islâmicos contra o Governo, em torno de 450 pessoas morreram em decorrência da violência na Somália, segundo diversas fontes, e pelo menos 117 mil fugiram de suas casas em Mogadíscio, segundo a ONU. EFE ia/db

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