Parlamento paquistanês votará em resolução para reafirmar poder civil

Em meio à tensão entre o governo civil e o Exército, premiê afirma que parlamento deve escolher entre 'democracia e ditadura'

iG São Paulo |

AP
Em foto de 2008, Yusuf Raza Gilani conversa com jornalistas no parlamento em Islamabad, Paquistão
Os parlamentares do Paquistão elaboraram nessa sexta-feira uma resolução para reforçar a liderança civil do país em um momento de crescente tensão entre o governo, o Exército e o poder judiciário. A resolução pede "total confiança" nos atuais líderes e deve ser submetida a votação no parlamento na segunda-feira.

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Segundo a Associated Press, o documento afirma que todas as instituições do Estado devem agir dentro dos limites constitucionais - em uma aparente censura aos militares depois que estes alertaram sobre "sérias consequências" em resposta às críticas civis.

Depois que a resolução foi anunciada nesta sexta-feira, o premiê Yusuf Raza Gilani declarou que o parlamento de seu país deveria escolher entre "a democracia e a ditadura"

A ação parlamentar deve aprofundar a crise que teve início por causa da revelação de que um ex-diplomata ligado a Zardari teria enviado um memorando ao Pentágono solicitando que os EUA ajudassem a controlar os ímpetos dos militares paquistaneses.

As relações entre civis e militares mergulharam no seu pior momento desde o golpe militar de 1999. Embora seja improvável que os generais tentem novamente tomar o poder, as hostilidades reforçam a impressão de que as disputas no Paquistão tornem seu governo incapaz de resolver os enormes problemas econômicos, sociais e de segurança do país.

Em meio à votação de segunda-feira, expira o prazo da Suprema Corte para o governo reabrir os casos de corrupção política.

O prazo foi estabelecido depois que a corte anulou uma anista para políticos, incluindo ao presidente paquistanês Asif Ali Zardari, o que é visto como um desafio direto para o governo.

Em seu pronunciamento, Gilani pediu aos parlamentares que protegessem a democracia do país e disse que "não vai implorar pelo apoio de ninguém". Ele disse que qualquer um que tentasse remover seu governo estaria contribuindo para um revés na democracia paquistanesa.

"Agora nós temos que decidir se devemos ter democracia ou ditadura nesse país. Se nós cometemos erros, não significa que a democracia ou o parlamento deva ser punido", disse.

Analistas ouvidos pela rede BBC acreditam que provavelmente Gilani garantirá o voto, e isso pode dar a ele uma nova força.

O presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, que realizou uma breve visita a Dubai , retornou ao Paquistão. Sua saída na quinta-feira alimentaram boatos de um golpe iminente, em um país marcado por tomadas de poder pelo Exército.

Mas autoridades garantiram que ele foi ao país para participar de uma cerimônia de casamento. Ele também foi tratado em Dubai de um problema no coração no mês passado.

Alguns partidos que participam da coalizão de governo alertaram que Zardari e seus aliados não deveriam pressionar demais os militares. "Vamos apoiar qualquer resolução que leve ao fortalecimento da democracia no país, mas será difícil para nós aprovar qualquer resolução que tenha uma instituição do Estado como alvo", disse um parlamentar da coalizão.

Segundo assessores, Zardari deseja ser lembrado como o presidente que mais se empenhou para promover o governo civil no Paquistão, reduzindo a influência militar.

"Ele é teimoso e cabeça-dura, com um forte senso para a política das ruas", disse um dirigente do partido governista Partido Popular do Paquistão à Reuters. "E ele tem o desejo de deixar um legado como o homem que finalmente usou as urnas para se impor."

Nunca um governo civil cumpriu integralmente seu mandato de cinco anos no Paquistão. Mas talvez Zardari tenha concluído que os generais não têm mais apetite por um golpe.

Fontes militares dizem que, embora desejassem a saída de Zardari, isso deveria ocorrer por meios constitucionais, não com um golpe que manche ainda mais a imagem da democracia paquistanesa.

Com BBC, NYTimes e Reuters

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