Parlamento libanês propõe formação de um Governo de união nacional

Abu Dhabi, 19 mai (EFE).- A maioria parlamentar libanesa propôs hoje a formação de um Governo de união nacional para o Líbano composto por 30 ministros, 11 deles da oposição, nas negociações realizadas na capital do Catar, Doha.

EFE |

A proposta, baseada em uma idéia do líder da corrente "Futuro", Saad Hariri, foi feita hoje em nome dos grupos da maioria, que inclui também as Forças Libanesas, de Samir Geagea, e o Partido Socialista Progressista (PSP), do líder druso Walid Jumblatt, entre outros, segundo o canal de televisão "Al Jazira".

De acordo com esse plano, a maioria teria 16 ministros no Governo de unidade e a oposição 11, enquanto três seriam nomeados pelo presidente eleito pelas partes para suceder Émile Lahoud, que abandonou o cargo no dia 24 de novembro após expirar seu mandato.

Deste modo, as formações da oposição lideradas pela milícia xiita pró-Irã Hisbolá (Partido de Deus), teriam o direito a veto no Governo, segundo explicaram fontes próximas à reunião, citadas pela emissora.

A maioria parlamentar insiste, no entanto, que um acordo sobre essa proposta seja realizado após a eleição do comandante do Exército libanês, Michel Suleiman, como presidente do país para pôr fim ao vazio institucional vivido pelo Líbano desde novembro.

A formação de um Governo, a eleição de um presidente e a reforma da lei eleitoral são os três assuntos que serão debatidos pelos diferentes grupos libaneses em Doha, a partir de sábado, por meio dos mediadores do Catar, que pediram às partes que evitem fazer declarações à imprensa.

Os dirigentes da oposição não se expressaram claramente sobre a proposta da maioria, mas distribuíram um comunicado em Doha, no qual reiteraram a necessidade de que primeiro seja firmado um acordo sobre a lei eleitoral e a formação de um Governo antes da eleição presidencial.

Na nota, a oposição reafirma, ao mesmo tempo, seu compromisso com o acordo realizado na sexta-feira passada na capital libanesa, com a mediação do Catar e da Liga Árabe, interrompendo os enfrentamentos suscitados no último dia 7, que deixaram dezenas de mortos em Beirute, e firmou as bases para o diálogo de Doha.

Fontes libanesas citadas pela "Al Jazira" explicaram que permanecem as divergências entre as duas partes a respeito das três questões principais - formação do Governo, reforma da lei eleitoral e a eleição do presidente.

Para aproximar os pontos de vista dos dois lados, o emir do Catar, xeque Hamad bin Jalifa Al Zani, se reuniu ontem à noite separadamente com dirigentes da maioria e da oposição, antes de reunir ambos em uma mesma mesa.

O emir lhes propôs formar primeiro um Governo, escolher um presidente e adiar o debate sobre a lei eleitoral, explicou a "Al Jazira".

O diálogo de Doha, considerado como o primeiro contato direto entre a maioria e a oposição desde o final de 2006, é visto pelos comentaristas como uma boa oportunidade para pôr fim à crise política de 18 meses do Líbano.

Em declarações à "Al Jazira", Antoine Zahra, um representante das Forças Libanesas (integradas na maioria parlamentar), acusou hoje os delegados da oposição de rejeitar a proposta do emir do Catar por insistir em conquistar um acordo sobre a lei eleitoral antes de eleger um presidente.

Fontes da oposição, que inclui, além disso, o Hisbolá, o grupo Amal, do presidente do Parlamento, Nabih Berri, e a Corrente Patriótica Livre, do líder cristão Michel Aoun, entre outros, negou, no entanto, que tenha rejeitado a proposta do emir do Catar e reiterou sua decisão a continuar o diálogo de Doha.

O secretário-geral da Liga Árabe, Amre Moussa, que está na capital do Catar, admitiu, entretanto, que existem divergências, mas se mostrou otimista sobre a possibilidade de atingir um acordo entre os dois lados. EFE fa/bm/fb

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG