BEIRUTE - O Parlamento do Líbano concedeu nesta terça-feira sua confiança ao governo de Fouad Siniora, após um debate de cinco dias sobre o programa do governante e no qual foi analisada a autonomia de milicianos do Hezbollah, entre outros temas.

O programa governamental foi aprovado por 100 dos 107 deputados presentes na sessão desta terça-feira. Dois legisladores se abstiveram e outros cinco votaram contra, segundo o chefe do Parlamento, Nabih Berri.

"Devemos aceitar uns aos outros e compreender as preocupações e temores dos outros", afirmou Siniora antes da votação, em um apelo à unidade em meio a um debate com múltiplos desacordos.

As diferenças entre os legisladores da oposição e da maioria parlamentar se centraram no arsenal e no papel do Hezbollah e na possibilidade de a milícia passar para o controle do Estado.

Os deputados da oposição, liderada pelo Hezbollah, defenderam a Resistência - seu braço armado -, enquanto a maioria anti-síria insistiu em que esta tem que estar sob o controle completo do Estado, o que provocou brigas e insultos.

As discussões foram transmitidas ao vivo pelas televisões locais e, durante os cinco dias que duraram, 60 dos 127 deputados fizeram uso da palavra.

"As acusações de traição e blasfêmia devem cessar", afirmou Siniora, que lembrou os acordos assinados em maio no Catar entre os políticos libaneses e que puseram fim a mais de dois anos de crise política e institucional.

Siniora disse que sua principal tarefa será "retomar o trabalho, restabelecer a confiança nas instituições do Estado e também entre os libaneses através do diálogo nacional".

Ele acrescentou que a primeira condição para o diálogo é "pôr fim aos insultos, à incitação e às acusações".

O chefe do governo libanês disse que as forças da segurança e as militares "devem garantir e preservar a segurança dos cidadãos do Líbano", e prometeu fazer tudo que for possível para que o governo de união nacional presidido por ele seja um êxito.

"As soluções para alguns problemas serão rápidas, mas outros precisarão de mais tempo e de um diálogo profundo para serem resolvidos; no entanto, temos fé em Deus de que conseguiremos solucioná-los", acrescentou.

Siniora está à frente do governo desde uma crise que, em maio, resultou em um conflito armado com 65 mortos e que quase levou o país a uma nova guerra civil.

Seu mandato será curto, porque uma de suas missões é organizar as próximas eleições legislativas, programadas para o primeiro semestre de 2009 e que determinarão quem governará o país nos próximos seis anos.

O primeiro-ministro disse que sua intenção é evitar que o Líbano se envolva, "contra sua vontade", nas políticas que outras nações da região querem impor, mas também fez um apelo para que o país mantenha "boas relações com os Estados irmãos".

Ele lembrou que seu Gabinete está comprometido em obter uma lei eleitoral justa para garantir a eleição de um novo Parlamento e para que um novo Executivo seja formado.

"As eleições são um fato e trabalharemos para garantir que sejam realizadas de modo democrático e livremente, longe da violência, pressão ou de qualquer forma de terror", afirmou.

Siniora prometeu ainda trabalhar para resolver "os problemas dos libaneses que se acumularam durante décadas".

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