Parlamento iraquiano dá passo de reconciliação, e sunitas voltam ao Governo

Amer Hamid Bagdá, 19 jul (EFE).- O Parlamento iraquiano deu hoje um grande passo rumo à reconciliação nacional, após aprovar uma lista de candidatos a ministro que permitirá a reincorporação dos sunitas ao Governo após esses se retirarem do mesmo no ano passado.

EFE |

O Conselho dos Representantes (Parlamento iraquiano) aprovou uma lista com os nomes de dez candidatos a ministro, entre eles seis da Frente do Acordo Iraquiano, principal bloco sunita do Iraque, apresentada pelo Governo do primeiro-ministro do país, Nouri al-Maliki.

Além dos seis candidatos da Frente do Acordo Iraquiano, a lista inclui quatro nomes propostos pela aliança xiita Aliança Iraquiana Unida, a maior força no Parlamento.

Desta forma, a Frente do Acordo Iraquiano voltará ao Executivo após a saída de seus ministros no ano passado em protesto pelo que chamou de fracasso do Governo Maliki quanto a reformas políticas e à segurança do país, como a libertação de milhares de detidos, a maioria sunitas.

Outras das reivindicações do bloco eram o desarmamento das milícias xiitas, um maior papel da minoria sunita no processo político e a despolitização das forças de segurança.

Com 44 assentos no Parlamento, a Frente do Acordo Iraquiano é o terceiro bloco no Conselho dos Representantes.

A coalizão é composta pelos principais partidos sunitas do Iraque: o Partido Islâmico Iraquiano, do vice-presidente Tareq al-Hashimi; Conselho Geral para o Povo do Iraque, liderado por Adnan al-Dulaimi; e a Conferência para o Diálogo Nacional, liderada por Khalaf al-Olayan.

"A ratificação da lista pelo Parlamento significa o retorno da Frente do Acordo Iraquiano ao Governo, e, portanto, elimina a principal fonte de tensão", explicou o porta-voz do bloco, Salim Jabouri, à Agência Efe.

A volta do bloco sunita ao Governo acontece após um árduo processo de negociação para concordar a distribuição dos ministérios.

Nesse sentido, Jabouri explicou que a Frente do Acordo Iraquiano ficará com os Ministérios de Educação Superior e Pesquisa Científica, Comunicações, Cultura, Assuntos da Mulher e Assuntos Exteriores.

Um membro do bloco sunita também assumirá o cargo de vice-primeiro-ministro.

O entendimento entre sunitas e xiitas era uma das exigências dos Estados Unidos ao Executivo iraquiano como requisito indispensável para alcançar a reconciliação nacional entre as distintas facções iraquianas.

Apesar de a volta da Frente do Acordo Iraquiano ao Governo ser um grande passo para a reconciliação, deputados da própria coalizão sunita se opuseram à votação de hoje pelo fato de o Partido Islâmico Iraquiano ter levado todos os ministérios, concedidos a seu bloco.

Em declarações à agência de notícias independente "Aswat al-Iraq", o deputado sunita Abdallah Iskandar explicou que cem parlamentares se retiraram da sessão hoje em protesto pelo fato de todos os candidatos sunitas da lista pertencerem ao partido de Hashimi.

Fontes do Conselho de Representantes advertiram de que a não participação dos outros dois membros da coalizão sunita no Governo poderia levar à ruptura do bloco.

Apesar da volta da Frente do Acordo Iraquiano ao Executivo, ainda há três grupos que permanecem fora desse: Bloco Sadr, leal ao clérigo radical xiita Moqtada al-Sadr; a Lista Iraquiana, do ex-primeiro-ministro Iyad Allawi; e o partido Fadillah (Partido da Virtude), que retiraram seus ministros no ano passado.

O sinal verde do Parlamento à lista de aspirantes a ministro acontece dois meses e meio depois da realização das eleições provinciais no Iraque, consideradas cruciais para o futuro político do país. EFE ah/wr/db

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