Parlamento iraniano reprova ministro do Interior

Teerã, 4 nov (EFE).- O Parlamento iraniano retirou hoje o voto de confiança ao ministro do Interior, Ali Kordan, acusado de falsificar seu currículo, decisão à qual se opôs o presidente do país, Mahmoud Ahmadinejad -que precisará substituí-lo, de acordo com a legislação do Irã.

EFE |

O presidente, que ontem declarou o procedimento desnecessário e pediu, em vão, que não fosse respaldado, não assistiu à sessão parlamentar, na qual 188 dos 247 deputados presentes votaram a favor de reprovar o ministro por "conduta desonesta", informou a agência oficial de notícias iraniana "Irna".

Kordan, que compareceu acompanhado de seu conselheiro político Kamaran Danshayu, incluiu em sua lista de méritos acadêmicos um titulação em Direito pela prestigiosa universidade inglesa de Oxford, que se demonstrou falsa.

O ministro censurado assumiu a pasta em 5 de agosto, após receber o respaldo de 164 dos 290 parlamentares que integram a Câmara iraniano, em substituição de Mustafá Pour-Mohammadi, que ocupara o cargo até 10 de abril.

No final de outubro, um grupo formado por 28 deputados apresentou um documento intitulado "a falta de veracidade e sinceridade do ministro sobre o título de Doutorado" e solicitou ao Parlamento que a nomeação de Kordan fosse submetido a um novo voto de confiança se não renunciasse.

Alguns dos deputados argumentavam que o Ministério do Interior, responsável pela segurança nacional, devia ser dirigido por um político de reputação irrepreensível, principalmente em um ano no qual está previsto que se realizem eleições presidenciais.

Segundo alguns analistas, a reprovação de Kordan, a nove meses do pleito, representa um novo revés para as aspirações de reeleição de Ahmadinejad, à frente de um país com graves dificuldades econômicas.

O presidente, que fez da luta contra a corrupção uma de suas bandeiras, reagiu neste fim de semana à decisão do Parlamento, que criticou com dureza.

Em um pronunciamento aos jornalistas, reproduzido pela televisão estatal, assegurou que "embora tenhamos grande respeito pelo Parlamento e suas decisões, elas não devem ter impacto sobre a atividade do Governo. Respeitamos a Câmara, mas nos opomos totalmente à decisão".

No domingo, o presidente do Parlamento iraniano, Ali Larijani, vetou a presença do ex-representante do Governo na Câmara, Mohamad Abbasi, para evitar possíveis coações.

Abbasi foi destituído deste posto pelo próprio Ahmadinejad, depois que um dos deputados mais próximos ao presidente, Ali Asghar Zarei, acusou-o de tentar subornar parlamentares para que votassem contra no processo a Kordan.

A reprovação também colocou em uma incômoda posição o presidente, já que será a nona mudança em seu gabinete desde que chegou à Presidência, em 2005.

A Constituição iraniana estipula que se mais da metade dos ministros forem substituídos ao longo de uma legislatura, todo o Governo precisará que o Parlamento o aprove com novo um voto de confiança.

Para alcançar esta marca, Ahmadinejad precisa torcar apenas mais dois ministros, chegando a 11, de um total de 21. EFE jfr/jp

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