Parlamento iraniano pode apoiar Ahmadinejad sobre subsídios

TEERÃ (Reuters) - Após bloquear a medida por meses, o Parlamento iraniano pode finalmente aprovar os pedidos do presidente do país, Mahmoud Ahmadinejad, sobre um radical corte de subsídios, disse neste domingo um importante legislador. O Parlamento aprovou neste mês o orçamento para o novo ano fiscal, iniciado neste domingo, mas ele não continha cortes radicais de subsídios, como buscava Ahmadinejad.

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Na sexta-feira, o presidente sugeriu a realização de um referendo sobre uma reforma no custoso sistema de subsídios da República Islâmica, o que salvaria 40 bilhões de dólares. O Parlamento aprovou apenas metade desse valor.

"Acreditamos que não seja possível implementar o plano de reforma subsidiária de 20 bilhões de tomans (20 bilhões de dólares)", disse Arsalan Fathipour, líder da comissão econômica do Parlamento, à agência de notícias estatal Irna. "Então os delegados pretendem aumentar esse montante para 35 bilhões, 38 bilhões de tomans."

Não ficou claro como uma mudança de última hora como essa seria efetiva, uma vez que, na semana passada, o Conselho dos Guardiões da Constituição assinou o orçamento aprovado pelo Parlamento.

Legisladores disseram que os cortes poderiam pressionar a inflação. Analistas afirmam que também podem provocar revoltas em um país já marcado por tensões após as manifestações de opositores de Ahmadinejad no ano passado. Um referendo pode causar ainda mais problemas.

Os parlamentares primeiro bloquearam os planos de reforma nos subsídios, no ano passado, aprovando suas linhas gerais, mas ligando-os ao orçamento estatal para forçar uma vigilância parlamentar sobre como o dinheiro economizado seria empenhado.

Três importantes membros do Parlamento emitiram um comunicado criticando Ahmadinejad pela ideia do referendo, chamando-o para um debate sobre o assunto na televisão, informou no sábado a agência de notícias Fars.

O supremo líder do Irã, Aiatolá Ali Khamenei, última palavra em importantes assuntos políticos, evitou tomar partido em um discurso para marcar o ano novo iraniano.

"A reforma subsidiária é muito importante e o governo e o Parlamento devem cooperar", disse. "Todos os órgãos do Estado devem ajudar o governo. Por outro lado, o governo deve considerar se uma lei é de confiança e valida."

Analistas dizem que Ahmadinejad espera que os cortes nos subsídios tornem o Irã menos vulnerável a sanções da Organização das Nações Unidas (ONU) e permitam ao presidente canalizar parte do dinheiro aos eleitores que o apoiam.

O Irã é o quinto maior exportador de petróleo do mundo. Mas, mesmo com os preços do produto tendo subido, a economia do país desacelerou, resultado do declínio global, do isolamento político e das sanções devido ao seu programa de energia nuclear.

(Reportagem de Ramin Mostafavi e Hossein Jasseb)

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